Introvertendo 318 – Autistas na Universidade – parte 1

A universidade é um espaço de muitas experiências no início da vida adulta, e sendo autista nesses ambientes, muita coisa boa e muita coisa bizarra pode ser vivida. Neste episódio, Deco Machado e Marx Osório falam, ao lado de Andy Gabe e Nicolas Melo, sobre provas, interação social, atléticas e muito mais.

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Transcrição do episódio

Marx: E aí, meus queridos, tudo bem com vocês? Eu sou o Marx Osório, farmacêutico, e esse é o Introvertendo, um podcast feito por autistas. O nosso tema de hoje é autistas na universidade.

Deco: Salve, galera! E aí, beleza? Eu sou o Deco, eu sou formado em comunicação social, com foco em publicidade e propaganda, e foi em São Paulo que eu fiz, fiz na USP. É isso? É isso.

Nicolas: E aí, aqui é o Nicolas, diretor de vídeo, formado em direção de arte pela UFG.

Andy: Oi, gente, eu sou a Andy, eu sou autista e artista, eu estou no Instagram como @autieartista, e eu curso artes visuais na UFG. Já apareci em alguns episódios, e é isso, estamos aí. Eu ainda estou cursando, mas acho que eu tenho algumas coisas para compartilhar. 

Nicolas: A gente precisava de uma cota para alguém que ainda está na faculdade. Para ver se mudou, né?

Deco: É, para ver se mudou (risos).

Andy: Spoiler: não mudou.

Deco: Continua chato (risos).

Marx: O introvertendo é um podcast feito por autistas com produção do NAIA Autismo. E se você ainda não conhece o nosso trabalho, a gente está nas redes sociais, no Instagram, @introvertendo, no Facebook e no X. E se você tem interesse em apoiar financeiramente o podcast, conheça as nossas plataformas de apoio financeiro, o Patreon, Apoia-se e Catarse. 

[Vinheta de abertura]

Marx: Bom, galera, eu sou farmacêutico, formei na UFG em 2022. E atualmente eu sou servidor técnico-administrativo em educação da UFG, no nosso hospital veterinário. Eu sou da área de Farmácia e eu estou na UFG, então, contando graduação, especialização, doutorado e como funcionário agora, desde 2017. Então, quase 10 anos, 9 anos.

Deco: Nossa senhora. 

Andy: Esse gosta da UFG.

Marx: Eu gosto, eu gosto e… A UFG é a minha segunda casa na cidade de Goiânia, desde que eu vim pra cá. Eu tinha uma ideia sobre universidade quando eu era criança e adolescente, completamente diferente do que eu vi quando eu entrei na universidade. A universidade, ela é, em alguns aspectos, muito melhor do que a gente pensa, mas em outros, nem tanto. E o nosso tema de discussão aqui, pra gente começar esse bate-papo, é justamente quais são as impressões que cada um de vocês tiveram quando vocês pisaram o pé na universidade pela primeira vez.

A impressão que eu tive, isso lá em 2017, eu sem diagnóstico, ainda fanático evangélico, ainda em processo de desintoxicação do fanatismo evangélico, foi muito difícil. Tive muito problema de socialização. A galera me odiou com uma semana de aula. Insuportavelmente chato esse cidadão, né? E eu tinha uma ideia, uma cabeça muito escolar ainda e tive um baque muito grande no primeiro semestre, principalmente, com a maneira como a universidade é, de fato.

Deco: Eu tava esperando mais droga.

(Risos)

Marx: Eu me decepcionei com isso também.

Andy: Minha mãe me prometeu! (risos).

Deco: Me prometeram.

Nicolas: Tantos avisos, tantos avisos. “Vai ter droga em todo lugar”.

Andy: “Vão tá te dando droga nessa universidade”.

Nicolas: Não deram droga!

Andy: “Vai ter gente transando no banheiro”. Isso às vezes tem, né?

Deco: Não, mas a minha… É que pra minha experiência, pra universidade também foi mudando de cidade e morando sozinho, né. Então, eu fiz 18 anos no primeiro dia de aula. E pra mim foi muito difícil a socialização, basicamente.

Eu vim de um colégio aqui que só tinha prova. E aí, eu chego na universidade e não tem prova. Só tem apresentação de trabalho. E eu lembro que, tipo assim, o primeiro trabalho que eu apresentei… Eu tinha tudo preparado, eu estudei, eu passei. Chegou no momento… Era em grupo. Eu travei de, tipo assim, olhar pro grupo e falar “alguém me ajuda”. Porque eu não faço ideia do que eu tenho que falar.

E aí, o grupo não deixou mais eu falar. Pegaram o meu lugar, eu nunca mais fiz grupo com ninguém. Basicamente porque eu fiquei tão nervoso na hora de apresentar. E ficava tão nervoso pra apresentar cada trabalho também. Foi aquele primeiro momento que você lida com as coisas sem suporte. Pelo menos pra mim. 

Andy: Você não tinha laudo ainda, né?

Deco: Não, fui ter só depois de anos de formado (risos). 

Andy: Alguém tinha laudo? 

Nicolas: Não, não tinha. 

Deco: Só você tem esse privilégio aí.

Andy: Sinto muito pra vocês (risos).

Marx: É um direito, mas é um privilégio (risos).

Andy: É o privilégio de ser laudado na faculdade. Não o privilégio de ter laudo. Esse, na verdade… (risos).

Deco: Não, mas é isso. Então, pra mim, foi a primeira vez de, tipo… Realmente, também estudei com… Até o ensino médio, eu estudei com gente desde criança até o ensino médio. Então, sempre fui com as mesmas pessoas, meus amigos. Então, vou pra um lugar onde ninguém é meu amigo, onde eu não conheço ninguém. Não sei socializar. Então, foi um período, principalmente nos primeiros anos de faculdade, eu me sentia muito excluído, assim. Eu percebi que a classe me excluía. 

Andy: Nossa, fazer amizade na faculdade é difícil pra caramba, né?

Deco: Para algumas pessoas, parece que é mais fácil (risos).

Andy: Não, véi. Não tem como.

Marx: Eu acho que é difícil, porque…

Andy: Ou é difícil porque a gente é autista.

Marx: Também. Quando você não tem noção disso, eu acho que é pior ainda. Porque no primeiro dia de aula, que teve a recepção dos calouros lá no auditório da faculdade, né… Aí, a galera fazia… Era tipo um checklist, assim. “Fale o seu nome, de onde você veio, sua sexualidade, seu horóscopo…”

(Risos)

Andy: Seu MBTI, sua cor favorita.

Nicolas: A possibilidade de perguntar realmente não sei se é possível ou não sei se é ironia.

Andy: Hoje em dia, eles perguntam só os pronomes.

Nicolas: Nossa senhora!

Deco: Mas na minha teve assim: “se você é gay ou ht”. Aí alguém comentou…

Andy: Ht?

Deco: Hétero. Exatamente. Mas exatamente foi essas interações no grupo.

Nicolas: Ascendência também.

Marx: Já veio a desgraça, né? Eu falei… Aí, eu achei que seria uma boa ideia eu falar…

Andy: Lá, vem.

Marx: Assim, eu achava que eu era hétero, né? Eu falei que eu era hétero. Eu jurava, né?

Andy: Aham.

Marx: Eu falei: “ah, eu sou do signo de Capricórnio”. Mas eu não acredito nesse negócio de astrologia.

Andy: Pronto.

Marx: Não. Pra mim, isso aí é terra…

Nicolas: Você queria ser odiado, era isso.

Andy: Sim!

Marx: Eu carimbei, pá! O passaporte do ódio, assim.

Deco: É, não, é.

Andy: “Homem branco, cis, hétero e não acredita em signo!”

Marx: E evangélico!

Nicolas: “Eu votei no Ciro!”

Marx: E evangélico que votou no Aécio, assim, em 2014.

Nicolas: Nossa Senhora!

Marx: E assim, eu vim de outro estado, né? Eu sou da Bahia, eu vim estudar em Goiânia. Então assim, juntou todo o combo, esquisito. Um nome diferente.

Deco: Nordestino.

Marx: Nordestino!

Andy: Como que o cara chamava Marx e era crente, tá ligado?

Deco: Eu pensei nisso também, mas…

Marx: No episódio, o Marx e o Engels do Autismo, eu explico isso.

(Risos)

Marx: Vou falar para divulgar o episódio. Nem sei qual primeiro vai ser lançado, mas…

Deco: Vai ter, vai ter.

Marx: Eu falei sobre isso no episódio.

Deco: Aguarde!

Marx: Então vocês também vieram… Quando vocês foram estudar, vocês saíram da cidade vocês também?

Deco: É, eu saí.

Marx: Na verdade, eu saí da minha cidade muito antes de entrar na UFG, né? Eu fiz um ano de direito também numa particular. Eu tinha desistido de uma graduação em Biologia lá em 2012 ainda por conta de não conseguir adaptar. Eu acho que já contei essa história em algum momento também.

E pra mim, a coisa mais difícil de sair de outro estado quando eu entrei na UFG… É porque apesar de ter muita gente de vários lugares, ainda assim… Eu sentia uma certa dificuldade de entender o costume cultural da galera daqui. Eu demorei muito tempo pra poder pegar o ritmo do Goiânia, não sabe? Porque é muito diferente. 

Deco: Eu tive exatamente a mesma coisa com o pessoal paulista lá. Com os paulistanos. Porque também, na faculdade… Ah, beleza, eles não se conhecem. Mas eles já têm alguma coisa em comum, que é eles são do mesmo lugar. Eu era o único de outro estado da turma. Só tinha dois de outro estado, eu acho. Eu era o único goiano da faculdade, assim, do ano, tá ligado? E aí, você não tem mais…

Andy: Você era “o” goiano. 

Deco: É, exato. Era “o” goiano.

Marx: Nossa, e paulista gosta de um povo de fora, né…

Andy: Uhummm… 

Deco: Nossa!

Andy: É, goiano tá muito diferente não viu. 

Deco: “Fala porta”.

Andy: “Porta”.

Deco: Mas eu acho que tinha isso também. As pessoas já tinham… Primeiro, já é difícil a gente, a autista, se conectar, né. Aí as pessoas já tinham uma conexão a mais que era diferente da conexão que você tem. Então, eu notei que o pessoal de São Paulo já tava acostumado a apresentar trabalho no ensino médio. Igual da faculdade. E eu não tinha feito nunca isso na vida, de apresentar trabalho no ensino médio. 

Andy: Você tem que saber apresentar um trabalho pra você sobreviver.

Marx: Eu vim de escola do interior da Bahia, né. Apresentar trabalho era uma vez no ano.

Deco: É, então, pra mim não tinha nada.

Marx: No caso, assim, eu era a pessoa que gostava de apresentar. Eu não gostava de escrever e de montar. Então, toda vez que eu entrava em grupo, mesmo o pessoal me detestando, eles me colocavam no grupo. Porque quando o pessoal não gostava de apresentar, tinha que ir pra apresentar uma pessoa e apresentava. Mas também não pesquisava nada, não escrevia nada… Todo mundo tinha que fazer a parte escrita, porque eu fugia mesmo. Igual o diabo foge da cruz, né.

Nicolas: Mas assim, sair da escola, que é um lugar regrado, que é muito claro o que você tem que fazer, ir pra selva da faculdade é uma loucura gigantesca. Porque, primeiro, não tem uniforme! Meu Deus! É muita loucura isso. Tem o merchan da universidade. Se você quiser, você compra lá, coisas da UFG e tal. Mas o uniforme em si, do curso, não tem. Isso foi uma dificuldade muito grande pra mim, porque eu não queria gastar roupa.

Deco: Ah não, eu me vestia…

Andy: É por isso que eu compro roupa de atlética.

Marx: Camisa de atlética é um uniforme da UFG, né.

Andy: Exato! 

Nicolas: A camisa atlética era feia, feia. A Dramática fazia umas artes muito feias.

Andy: I love Pintada! Não fale mal da pintada na minha princesa.

Nicolas: E sério, a instituição atlética é uma seita muito bizarra.

Deco: Ah, isso é verdade.

Andy: Ai, véi, isso é meio doido. Tem uma galera que tá com, tipo assim, quase 40 anos e ainda está na graduação para poder ficar na atlética. Isso eu acho muito paia, véi.

Deco: Na minha faculdade, pessoal, a gente fala que é rebicho, né. A pessoa fica… 

Andy: Voltando.

Deco: Voltando a ser calouro.

Andy: Aí, quando ele tá chegando assim, não tem como mais segurar. Aí ele volta, escolhe outro curso e volta pro primeiro período. 

Deco: Mas tem um ponto, pra faculdade, pra mim… Quando eu entrei numa entidade, eu comecei a tocar bateria, né. Bateria de samba, na faculdade. E aí, pra mim, foi um momento ali onde eu achei meu grupinho também, sabe. Pra mim, foi tipo, “ah, beleza”. Pelo menos a gente tem essa coisa em comum aqui, que é tocar junto. E ali, eu achei mais amigos também, sabe.

Então, pra mim, foi… Eu acho que é importante você achar o grupinho, seu grupinho, sabe? Pra exatamente viver nessa selva aí, que não tem regra. Se você não quiser ir na aula, você não vai.

Andy: Contanto que você não use droga e não agrida o professor, faça o que você quiser.

Nicolas: Às vezes até pode! 

Deco: Às vezes até…

Marx: O problema não é usar droga, o problema é encher o saco dos outros, né.

Andy: Eu acho.

Marx: Se eu tivesse feito a opção de usar droga, ao invés de encher o saco dos outros, talvez eu teria tido menos problemas, mais amigos…

Nicolas: Achar o grupinho é… define toda a sua trajetória da faculdade. Quando eu entrei, tive uma sorte muito grande de ter a semana da calourada. Que era meio que forçar os calouros que entraram a se conhecerem.

Andy: Nossa, que terrível.

Nicolas: Foi terrível, mas assim… Lá eu conheci as pessoas que duraram ao longo de toda a minha graduação. E é uma coisa que é muito estranha, porque ao longo do tempo as pessoas vão acabar saindo por algum motivo. Seja por trocar de curso, ou porque desistiram, ou por coisas da vida. Mas eu tive uma sorte muito grande de manter esse grupinho. Manter unido com essas pessoas, que são amigos meus até hoje.

Deco: É.

Nicolas: Então, isso que eu tiro da faculdade e levo pra vida foi uma sorte muito grande, que eu não tinha laudo. Eu não sabia de onde vinha essa dificuldade enorme de fazer amigos.

Andy: Aí você achou os esquisitos e falou: “são os meus esquisitos”.

Nicolas: Eu achei as pessoas que achavam os outros esquisitos igualmente. Porque você pisa na faculdade de arte, tá todo mundo pelado. Todo mundo lá tá pelado, tá usando droga no meio do nada. E eu pensei: “nossa, que esquisito”. Aí alguém do meu lado falou: “nossa, esquisito, né?” E eu falei: “sim, vamos ser amigos, vamos, porque eles são esquisitos”.

Andy: E eles lá, pelados, fazendo performance. E eu olhando, falando: “olha lá, que esquisitos”.

Deco: Os caras estão de roupa.

Nicolas: O pessoal tá de roupa e não está usando droga. Cadê o cachimbo deles?

Deco: Mas você falou da semana de recepção. Para mim foi o que faltou, porque eu passei de quarta chamada. Eu fui o último da turma a entrar.

Andy: Caralho, quarta chamada?

Deco: Eu fui o último mesmo a entrar. Como eu entrei depois da semana, a turma já se conhecia. Já tinha vivido uma semana antes, sabe? Então pra mim foi uma coisa que pra mim faltou muito. Porque pra mim é mais fácil interagir… Eras gincanas, né? Então eram jogos, assim. Então beleza, a gente é uma equipe, tem que jogar junto. A gente tem que interagir de alguma maneira. Pra mim, é mais fácil com essas regras, assim, do que soltar e interagir aí, sabe?

Andy: Isso aconteceu comigo também. Porque assim, na verdade, é a terceira graduação que eu começo (risos).

Nicolas: Coisa boa.

Andy: Porque eu comecei Dança em 2020. Aí teve uma coisinha aí que aconteceu, não sei se vocês lembram, pandemia.

Deco: Ô tempo bom não volta mais (risos).

Andy: E aí, tipo, eu não cheguei a conhecer a minha turma. Eu cheguei a mudar pra João Pessoa, que eu morava em Pernambuco na época. Mas eu não tive uma aula presencial, eu tive duas aulas online. E eu pensei: “por que eu vou fazer dança online?”

Nicolas: Aula online de dança (risos).

Andy: Vou trancar! Aí eu tranquei, mudei pra Goiânia. E aqui, eu comecei a faculdade de música. Só que a faculdade de música tinha uma coisa em comum com a dança. Era licenciatura. E eu descobri que eu odeio licenciatura. Todo respeito aos professores, amo vocês, beijo. Mas eu não quero ser, entendeu?

E aí, em 2024, eu entrei pra Artes Visuais Bacharelado. Só que eu entrei na segunda chamada. E aí, quando eu cheguei, já tinha os grupinhos. E aí, o meu grupinho naquela semana foi da galera que também tinha entrado na segunda chamada. Só que, tipo assim, esse grupinho durou um período. Porque foi o tempo dessa galera conhecer outras pessoas. E eu fiquei, assim, de xereca. Porque eu não consegui fazer amizade com mais ninguém. Porque também, assim, tem um detalhe, né. Que eu entrei com 25 anos, quase 26. E a minha turma era formada por nenéns.

Deco: Ah, tem isso. 

Andy: Hoje, que eu tenho 28, eu sou uma das mais velhas da minha turma. Então, assim, é difícil também. Eu não sei conectar com adolescente. Ainda mais adolescente da pandemia, sabe?

Deco: Nossa, sim. 

Andy: Que não sabe ser gente direito.

Marx: É diferença grande. 

Andy: Nossa, muito, velho.

Marx: Quando eu entrei na Farmácia, eu tinha 22. E a galera tava com 17, 18. Eu já senti uma diferencinha, já.

Andy: E você entrou antes de todo esse caos social que aconteceu, né.

Marx: Sim, a pandemia pegou… Eu tava no sexto período. Então, os períodos mais finais, porque foi ensino remoto. Foi uma merda. 

Nicolas: Os finais foram muito ruins.

Marx: Foi muito ruim.

Deco: Eu não vivi a faculdade na pandemia, eu formei antes.

Marx: Não recomendo. 

Andy: Cara, é muito doido, porque…

Deco: “Não recomendo” (risos). Na próxima pandemia que tiver, eu não vou fazer faculdade.

Andy: Não, para. Parte da madeira, pelo amor de Deus. Mas então, se eu tivesse continuado na mesma turma que eu entrei, na primeira faculdade, eu não só ia ter pego uma pandemia como eu também ia ter pego uma greve. E aí, mano, se eu formasse nesse curso, era porque Deus queria muito, sabe. 

Nicolas: Desculpa, mas faculdade e greve é água no oceano, é o que mais vai ter.

Marx: Nunca peguei uma greve!

Nicolas: Ainda! 

Andy: Eu já peguei duas, bicho!

Nicolas: Ainda tá na UFG. 

Marx: São todos azarados.

Deco: Eu me formei em greve na USP.

(Risos)

Deco: Porra. Não, pô, saudades de greve, levar bomba de…

Andy: Não, eu não tô reclamando, eu só tô falando que foi um fato. Foi muito difícil pra essa turma resistir até o final. Inclusive, eles devem formar esse semestre se ainda tiver alguém. 

Marx: E aí vem aquela pergunta que não quer calar, né. Quem éramos nós na universidade, né? Agora cada um vai assumir aqui o seu perfil, porque tem os perfis de grupo dentro da universidade. Tem a galera do fundão, tem os alternativos, tem os CDF puxa saco de professor.

Deco: Eu era a galera do bar. Eu era a galera que, tipo assim, “gente, acabou a aula”. Eu fazia noturno, a gente tinha o bar de segunda, inclusive. Beijo aí pro pessoal do bar de segunda, que são meus amigos até hoje. Que a gente, toda segunda-feira ia pro bar. E tentava levar o máximo de pessoas possível, assim, pra ir pro bar. Tipo assim, já levamos professor, já levamos outras turmas, tá ligado? Toda segunda-feira. Então… E aí, eu era vagabundo. Porque eu já queria ser artista.

Andy: Você acredita que eu nunca saí da aula pra ir pro bar?

Nicolas: Você não viveu a faculdade ainda.

Marx: Você nunca saiu do bar pra ir pra aula também, né?

Andy: Também não, eu estudo de manhã.

Deco: Ah…

Nicolas: Nah, isso não é desculpa, não.

Andy: Claro que é!

Nicolas: Dá pra ir pro bar de manhã.

Deco: Porque… 

Andy: Seis horas da manhã, eu vou estar no boteco?

Deco: Não, não, não. Ó o que eu fazia. Porque depois eu mudei pra manhã. E meus amigos continuavam de noite. Então, eu ia pro bar de noite. 

Andy: E passava o dia inteiro.

Deco: Então, eu ia de manhã. Aí, de tarde, eu tava num bar. Aí, de noite, eu ia pra aula de novo, pra mesma aula. Porque era o mesmo curso. E aí, de noite, eu ia pro bar de novo.

Marx: Na faculdade, existe essa licença poética.

Nicolas: Hiperfoco.

Marx: Existe essa licença poética. Uma das primeiras frases que eu ouvi quando eu entrei na graduação é que não é alcoolismo se você tá na faculdade.

Deco: Eu concordo. 

Marx: É, porque pra você aguentar certas coisas, você passa lá e acaba precisando. Inclusive, eu tive um professor que levava os alunos pro boteco. Lá pra pamonharia. 

Nicolas: É uma aula de extensão lá.

Andy: Aula prática.

Nicolas: Lá é uma parte da vida!

Andy: Eu acho que tem que ter certificado de horas lá na pamonharia.

Nicolas: Tem, tem. Porra, e…

Marx: Então, você era da galera dos… 

Deco: Dos quê?

Marx: Do fundão.

Andy: Botequeiro, botequeiro.

Deco: Eu era do fundão, porque eu ainda fazia… 

Andy: É os botequeiros.

Deco: Eu era a galera solta.

Marx: Botequeiro.

Deco: É. 

Andy: Eu sou invisível, véi. Eu chego na sala, eu ganho presença, eu vou embora. 

Marx: Você era da galera do fundão.

Andy: Por que da galera do fundão? A galera do fundão bagunça, por graça.

Marx: Porque na faculdade, a galera do fundão é o que assina chamada e fica só de alma presente. A galera do fundão bagunça é no ensino médio.

Andy: Mas eu sento na frente. 

Deco: Não, então eu era do fundão.

Nicolas: Independente, é o espírito. 

Andy: É, o espírito tá no fundão.

Deco: É, o espírito tá no fundo. 

Marx: É porque você é autista, né? O autista tem isso. Eu era aquele aluno chato que gostava de ficar conversando…

Andy: Palestrinha.

Marx: Palestrinha, que ficava perguntando.

Deco: Nossa. 

Marx: Mas eu ia pro boteco.

Deco: Eu te odeio. 

(Risos)

Deco: Porque além de estragar a aula, estragava o boteco.

(Risos)

Nicolas: Sua presença me enoja em ambos ambientes.

Marx: Não. E é engraçado, porque no boteco, todo mundo gostava de mim. Não, no boteco o povo gostava, o povo não gostava na sala de aula. Porque entrando na sala de aula, parece que virava outra pessoa, né? O professor começava a explicar o assunto, aí eu queria aprofundar.

Andy: Actually (risos). 🤓☝️

Marx: Aí eu queria aprofundar, aí eu queria fazer pergunta. Aí eu queria monopolizar o conteúdo, às vezes…

Deco: Nossa, você é desprezível!

Andy: Nossa, eu te odeio muito!

Marx: Eu tenho muita vergonha disso hoje em dia. Eu olho pra trás… 

Deco: A verdade é que a gente fez tudo humanas, né? Você fez ainda uma área que tem mais…

Nicolas: Mais biológicas, né?

Deco: É, que humanas, continuar o assunto é filosofar.

Nicolas: Sim, sim. 

Andy: Mas ainda é chato.

Deco: Não, e ainda é chato, entendeu? Mas o dele, pelo menos, tinha um fim. Tem um limite ali.

Marx: É, eu fazia isso numa aula de química, né?

Deco: É, entendeu?

Marx: De bioquímica, essas coisas.

Nicolas: Eu não me imagino numa aula dessas.

Deco: Não, depois do ensino médio, é aquilo que eu falei. Cara, me formei na faculdade, nunca mais eu quero pisar numa sala de aula pra estudar. 

Marx: Mas qual foi a grande frustração que eu tive na graduação, né? Que na graduação, a vida não era tão fácil assim, quanto na escola. Porque eu não sei se vocês passaram por alguma coisa parecida, mas na época da escola, eu conseguia tirar nota boa em matéria sem estudar, sem dedicar muito, só pelo conhecimento de aula, assim. E na faculdade, se você não ralar igual um desgraçado, se você não sentar a bunda na cadeira pra estudar de verdade, você roda.

Andy: Fale por você. 

Nicolas: Depende, né?

Andy: Fale por você. 

Nicolas: O que você chama de estudar de verdade? Porque eu via filme na aula.

Deco: Eu estudei… (risos)

Andy: Minha faculdade é pra fazer desenho, bicho!

Marx: Eu acho que a minha pergunta foi meio infeliz, né?

Deco: Não, porque a gente fez humanas, né? Cara, a minha faculdade, eu estudei muito menos na faculdade do que no estudo médio. Mas muito menos.

Andy: Com certeza!

Deco: Mais fácil.

Marx: O que eu tô fazendo a minha vida.

Andy: Ainda mais que eu faço bacharel, metade dos meus trabalhos é projeto que eu tenho que fazer. Desenho, pintura, escultura. Nossa, tem tanto tempo que eu não… Eu tenho o mesmo caderno desde o primeiro período.  

Deco: Você tem caderno?

Nicolas: Você tem caderno? Eu fiz o meu caderno! Literalmente! Era um dos trabalhos de desenho 1.

Marx: Eu levava o caderno pra aula, pra poder ficar rabiscando.

Andy: Exatamente:

Nicolas: Era por aí. 

Andy: Eu não falei que era pra anotar coisas.

Marx: Só nas aulas do primeiro período, né? As aulas que eram mais de exatas, assim, que tinha matemática, química, tinha que anotar muita coisa. Mas depois que foi pras específicas da farmácia, acabou.

Nicolas: Pra desencarnar de consciência, eu fiz desenho técnico. Então, eu tive parte de cálculo também. Mas eu odeio.

Andy: Sinto muito.

Nicolas: Nossa, foi inferno.

Marx: Nossa, cálculo é trem do capeta.

Nicolas: Era desenho de perspectiva, fazer cálculo. Então, eu tinha as pranchetas de arquiteto. Eu andava com um A2, uma maleta A2 gigantesca. Cheia de papel, essas coisas, de desenho, carvão.

Andy: Eu e você é as pessoas que a galera no ônibus lotado odeia.

Nicolas: Me odiavam. 

Andy: Porque a gente traz uma pasta, um rolo, uma mochila desse tamanho. Cheia de material.

Nicolas: E antes da pandemia, os ônibus eram muito mais lotados do que eram pós-pandemia. Dado as proporções.

Deco: Depende do horário. 

Nicolas: É. Eu entrava com uma maleta A2. E naquela época, tinha uma cultura do pessoal ter uma sororidade de falar assim: “ah, quer que eu segure sua mochila pra você, que tá em pé?”

Andy: Nossa, eu nunca vivi isso.

Nicolas: Isso acontecia. Alguém já viveu isso? 

Deco: Eu vivi lá. Em São Paulo ainda. 

Andy: Eu cheguei pós-pandemia, né. Então, assim, hoje em dia eu sinto que se eu peço pra alguém pra eu segurar a mochila, eu tô ofendendo a pessoa, sabe?

Nicolas: Não, mas não precisava pedir, as pessoas ofereciam.

Andy: Não, então, tipo assim, se eu estiver sentada, eu falo assim: “ah, você quer que eu pegue sua mochila?”. A pessoa me olha, tipo assim: “por você tá pedindo minha mochila? Pobre imunda!”

Deco: “Você acha que eu não consigo segurar minha mochila?”

Andy: Juro, parece que eu ofendi a pessoa. E eu parei de perguntar.

Nicolas: Era a época do Spotted. 

Andy: E alguém pedia a minha mochila? Nossa, jamais. 

Nicolas: Era a época do Spotted.

Andy: Nossa, que praga que foi isso! E então, você tinha que andar arrumado pra caso alguém tirasse uma foto sua e perguntasse: “quem é esse gato do ônibus?” Nunca aconteceu, mas caso acontecesse…

Deco: Mas tinha que ter preparado. 

Nicolas: É!

Deco: Vai que acontece, eu não tô preparado.

Marx: E o fenômeno que tava em voga quando eu entrei na graduação e que ainda é muito forte é o tal do grupo de WhatsApp. É “amo”, “odeio” ou “necessário”?

Deco: Ah, não, eu nem tô no grupo de WhatsApp da minha turma.

Marx: Na época de vocês, como é que era a dinâmica de grupo de WhatsApp? Porque assim, no meu curso tinha um grupo que tinha todo mundo da faculdade de Farmácia inteira e tinha um grupo da turma. O grupo da turma até que era melhorzinho, a galera mais de boa, que conversava. A minha turma era boa.

Deco: Ai, vocês fizeram… Ai, eu sou antigo.

Nicolas: (Risos)

Andy: Eu sou do Orkut.

Deco: Não, o meu era Facebook, essas coisas.

Nicolas: Tinha MySpace. 

Marx: Meu Deus, você é pré-histórico!

Deco: Não, era Facebook total, total.

Andy: Tinha Coca-Cola lá na sua época? 

Deco: Tinha o quê?

Andy: Coca-Cola. 

Deco: O que é isso?

(Risos)

Marx: Tinha Mineiro só, né?

Andy: Mineiro?

Deco: Não, mas o meu era tipo assim… 

Andy: Dolly.

Deco: Eu tinha semestre novo, ó. Tem grupo da aula tal, da aula tal, da aula tal. No Facebook, onde a gente coloca… Que era muito melhor do que os WhatsApp, tá? Porque você coloca os documentos, você coloca a aula filmada, você coloca tudo lá. O WhatsApp você se perde, o Facebook tá lá dentro. E no WhatsApp, pra mim, só tinha da turma mesmo. Tipo, do primeiro dia de aula fizeram… Chegou até que aconteceu uma bosta, que o cara mudou de número. E eu virei o ADM do grupo, porque meu nome é André, eu era o primeiro. 

Andy: Seu nome é André? 

Deco: Sim. Revelações (risos). 

Nicolas: Essa foi a revelação do dia.

Deco: Muitas revelações. Mas aí eu era o primeiro, eu virei o ADM. 

Andy: É porque eu nunca tinha pensado… “Ah, Deco é sobrenome de qual nome?”. Nunca veio na minha cabeça essas coisas, gente.

Nicolas: Meu, mas deve ter pensado que Deco era o nome real dele.

Andy: Não! Eu sabia que era o apelido, mas eu não pensava. “Ah, qual que é o nome?” Não sei, às vezes eles só escolhem até.

Marx: Mas qual que é a…

Deco: A relação com o grupo?

Marx: Qual que é o grande problema do autista, sem diagnóstico, principalmente no grupo de WhatsApp da faculdade? Treta, treta, treta.

Deco: Ah…

Nicolas: Nossa senhora. 

Andy: Pessoal, eu… Eu tenho um problema muito sério com grupos do WhatsApp. Eu odeio grupo. Tipo assim, tem o grupo do NAIA, eu não participo. Eu conheço 90% da galera, mas eu não participo, porque eu odeio o grupo do WhatsApp.

Deco: Eu também odeio. 

Andy: Só que tem o grupo da minha turma, que eu entrei originalmente. E aí tem o grupo dos meus calouros. Porque eu tive que pegar matéria com eles. E aí eu tô nesse grupo também, pra poder ter as informações. E aí tem o grupo com todos os alunos de artes visuais. E aí tem o grupo da Atlética. E tem os grupos das matérias que eu tô pegando esse semestre. E todo semestre tem novas matérias, novos grupos. Gente, eu queria explodir o WhatsApp, eu odeio grupo!

Deco: Por isso que era melhor o Facebook. Volta o Facebook. Facebook, se você quiser participar… 

(Risos)

Marx: Manda uma mensagem pro tio Mark Zuckerberg.

Andy: Tipo assim, o pior é que eu nem quero… Não tô nesses grupos porque eu quero. É porque se eu não tô neles, eu não sei de nada o que tá acontecendo, sabe? Eu soube da greve pelo WhatsApp da Atlética. Então… Ai, muito difícil, gente. Por favor, acabem com os grupos.

Nicolas: Na minha época, eu tinha poucos grupos de WhatsApp. Porque tava transicionando entre Facebook e WhatsApp. Então, quando eu entrei…

Andy: Vocês são velhos, hein.

Nicolas: Hã? (risos). 

Andy: Vocês são velhos.

Nicolas: Quando eu entrei… 

Deco: Foi em 2014.

Nicolas: 2018, 4 anos de diferença…

Deco: Eu já estava formado. 

Andy: Você se formou no tempo certinho?

Deco: Era pra eu me formar em 2017, formei em 5. Era em 4, foi em 5. 

Andy: Foi quase, foi quase.

Nicola: Eu levei 8. 

Deco: É que eu gosto de estudar, então fiz um ano a mais (risos).

Andy: Aham. É porque isso é uma coisa que eu percebo, assim… Eu não conheço nenhum autista que terminou no tempo certinho, bonitinho.

Marx: Eu formei no tempo certo. Mas eu entrei na farmácia depois de desistir de três cursos, né.

Andy: Mas era um pouco mais velho. Eu acho que isso muda um pouco a percepção da gente, né. 

Marx: Eu entrei com 22 e formei com 28, né.

Andy: É diferente. 

Deco: Eu formei com 22.

Andy: Formar recém saído do colégio.

Deco: Então, eu acho que pra mim, um ano a mais não era desperdício da vida, sabe? Tipo, um ano a mais na faculdade era até dahora.

Nicolas: No meu caso, eu tive uma crise existencial muito forte. Porque eu tranquei a faculdade. Eu ia formar tudo certinho em quatro anos, só que aí deu a pandemia. Começou aula online, eu pensei: “eu não vou fazer maquiagem online”. “Não vou fazer figurino online”. Então, eu prefiro trancar, porque vai durar só alguns meses a pandemia.

Andy: Ai, traumas.

Nicolas: Não durou só alguns meses. 

Deco: Ele corta.

Nicolas: E aí, eu pensei: “eu tenho que trabalhar”. Eu não tenho mais estrutura em casa pra me sustentar. Então, tá só eu, vou ter que trabalhar. Vou trancar a faculdade e daqui a um tempo eu volto. Foram quatro anos.

Deco: Nossa.

Andy: Você ficou trancado? 

Nicolas: Um belo dia, recebi um e-mail da UFG dizendo assim: “olá, você foi jubilado, vai se fuder”. Aí eu pensei “puta que pariu”.

Andy: E você: “até hoje, eu estava matriculado?”

Nicolas: É, também, foi um choque. Mas eu pensei “meu Deus, eu tava no penúltimo semestre”. “Eu tenho que voltar de alguma forma”. Só que eu tinha trabalho e tinha esse impasse. Foi um impasse muito forte. Aí eu entrei com o processo, consegui retomar minha matrícula e pegar uns períodos a mais, porque teve a pandemia e tal. Eles deram um tempinho. Então, foram oito anos nisso.

Então, eu demorei mais uns dois anos e tal, para conseguir retomar essas matérias. Foi uma luta enorme. E quando eu voltei, estava tudo tão diferente. Parece que a faculdade era de um jeito, foi a pandemia e voltou de uma forma completamente diferente. Porque não tinha mais meus amigos. Não tinha mais o pessoal que eu convivia. E mudou ementa, o currículo escolar. Mudaram todas as matérias. Mudaram três vezes, por algum motivo. Eles eram muito indecisos. E agora, eles mudaram até, separaram o curso da faculdade. Porque antes era a EMAC, que era a Escola de Músicas e Artes Cênicas. E tava incluso nisso, a Direção de Arte. Só que por motivos de brigas internas…

Andy: Nunca saberemos.

Nicolas: Sabemos, mas não vale a pena.

Andy: Não poderemos, falemos. 

Marx: Políticas da universidade.

Nicolas: É, eles cortaram então. Virou a EM, que é a Escola de Música. E o IAC, que é o Instituto de Artes Cênicas.

Andy: Spoiler, o prédio do IAC não existe. Então eles continuam na Escola de Música.

Deco: A ECA lá na USP é a mesma coisa. É a Escola de Comunicação e Artes. Eles querem separar a Comunicação e Artes, que tipo assim… Entendeu? Tipo, pra quê?

Marx: Bom, meus queridos, esse episódio ficou um pouquinho longo. O tema rendeu bastante. Então nós teremos uma parte dois, na próxima ocasião. Fiquem de olho, curtam, comentem, compartilhem. O Introvertendo é um podcast feito por autistas que às vezes rende episódios longos.

[Vinheta de encerramento]

Marx: O tema universidade pra mim é um tema extremamente estimulante e legal. Estimulante e legal porque eu entrei na…

Deco: (Risos)

Andy: Estimulante e legal?

Nicolas: É uma diversão incrível.

Andy: Caraca, galera! Uhul!

Marx: Eu sou um pai de família, eu tenho direito de falar essas coisas.

[Beep]

Marx: Porque você acha que você tá abafando. Você acha que não tem nada de errado com você. Eu achava isso, não tem nada de errado comigo. Por que esse povo tá me pegando no pé, enchendo o saco? Porque no primeiro dia de aula que ter…

(Risos)

Deco: Engasguei com “abafando”. O cara tá só…

[Beep]

Marx: Pode cortar isso, viu, Adriano?

[Beep]

Marx: Pode cortar isso aí também, Adriano, Deus me livre.

[Beep]

Deco: Adriano vai trabalhar nesse episódio.

[Beep]

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Ficha técnica do episódio

Direção geral: Tiago Abreu | Direção de vídeo: Nicolas Melo | Assistente de estúdio: Anderson Gomes | Fotografia: Secom UFG | Capa: Nicolas Melo | Pauta: Tiago Abreu | Edição de áudio e vídeo: Adriano Quadros | Transcrição: Michael Ulian