No começo do Introvertendo em 2018, fizemos um episódio incidental e sem pauta que alguns ouvintes levaram anos para entender. Desta vez, Brendaly Januário e João Victor Ramos quiseram repetir o feito com a participação de Alexandre Stacciarini e uma ajudinha de vinho. Foi um papo aleatório sobre atração por mulheres e homens, personagens fictícios da cultura pop, o repertório sexual das músicas de Lady Gaga e as verdades ocultas do universo.
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Transcrição do episódio
Brendaly: Olá você que está ouvindo o podcast Introvertendo! Eu sou a Brendaly, autista e doutoranda em Antropologia Social na UFG. De tempos em tempos, iremos gravar um episódio sem pauta. Espero que vocês gostem.
João Victor: Olá, eu sou João Victor Ramos, escritor, poeta, membro desta nova formação do Introvertendo. Apreciem com moderação dessa vez, por favor. Eu tô falando sério.
Alexandre: Eu sou Alexandre Stacciarini, geralmente eu fico de trás das câmeras, mas hoje eu vim pra causar o caos.
Brendaly: Você que está assistindo o podcast Introvertendo, quero aproveitar pra te fazer um convite. Nos siga nas nossas redes sociais, o nosso site é introvertendo.com.br e você pode nos encontrar nas demais redes sociais pelo @introvertendo. Introvertendo, um podcast feito por autistas em parceria com NAIA Autismo.
[Vinheta de abertura]
Alexandre: Eu queria perguntar pra vocês… qual personagem do Bob Esponja vocês iriam pra cama junto?
Brendaly: Porra, mas pra cama?
João Victor: Você ainda tá pensando? Você ainda tá pensando? Puta merda!
Brendaly: Não, a menina lá, a esquilinho?
Alexandre: A Sandy Bochecha.
Brendaly: Poxa, é? Eu só fico com mulher, uai!
João Victor: Gente, eu não tive infância, eu morei em Marte, eu quase não assisti Bob Esponja, lamento informar. Cara, teve muita coisa que as pessoas assistem que eu não vi por pura falta de interesse.
Alexandre: A Sandy Bochecha tem muito cara de dominatrix.
Brendaly: Sério?
Alexandre: Sério.
(Risos)
João Victor: Qual causa, motivo, razão ou circunstância? Não que eu vá entender, pois eu não vi essa porra desse desenho. Sério.
Alexandre: Você nunca viu Bob Esponja?
João Victor: Muito pouco, velho, juro.
Alexandre: Cara, a Sandy Bochecha, ela é tipo assim, imagina a mulher crossfiteira, lutadora que pode te quebrar na porrada.
João Victor: Prossiga.
Alexandre: Então, é exatamente por isso que… ela é a melhor personagem.
Brendaly: Mas é uma coisa que você curte?
Alexandre: O quê? Mulher que dá porrada?
Brendaly: É.
Alexandre: É o melhor tipo de mulher que tem, é a mulher que pode me quebrar no soco!
Brendaly: Sério?
João Victor: Meu Deus, Alexandre!
Brendaly: Olha, revelações, revelações (risos).
Alexandre: Uai. Vai falar que você não curte.
Brendaly: Gente, pelo amor de Deus, a gente já vai começar assim…
João Victor: Que delicado, que delicado, não?!
Alexandre: Eu falei. O João Victor adora.
Brendaly: Ele gosta?
João Victor: Oxe! Como assim?
Alexandre: Você gosta de mulher que te quebra na porrada, que eu sei. Não mente não.
João Victor: Como assim não mente? Você tem prova? Você tem documentos?
Alexandre: Não, eu só gosto de esculachar as pessoas.
Brendaly: Não, é, mas assim… não sei se posso falar, ele… transou poucas vezes, né, João Victor? (risos). É a pessoa mais bebezinha aqui da nossa… (risos).
João Victor: Eeeeeehhh, aaaaaaah, Mais ou menos… mais ou menos!
Alexandre: Bebezinho nada, cê já tem 25 anos!
Brendaly: Não, mas tipo, falo em questão de experiência sexual… Entendeu?
João Victor: Obrigado, Brendaly! Experiência no ato do coito!
Brendaly: Nossa, mas que termo antigo, meu.
Alexandre: É por isso que tem pouca experiência, porque usa essa palavra!
Brendaly: É por isso, cara.
João Victor: Eu não uso isso. Não, calma! Eu não uso isso na hora que eu tento adquirir a oportunidade, logicamente. Eu tô entre amigos, porra.
Alexandre: Ato do coito…
Brendaly: Quantas vezes, João Victor? Vamos embora, vamos começar. Bora, João Victor!
João Victor: Não, não, não, não!
Brendaly: Bora, quantas vezes?
João Victor: Me ajuda a te ajudar!
Brendaly: Não, eu tô aqui. Esse episódio vai ser diferente, então bora.
João Victor: Já está sendo diferente. Já está sendo diferente, até porque…
Brendaly: Não precisa fugir da pergunta, cara.
João Victor: Eu estou fugindo da pergunta, sim. Eu quero que se foda. Eu quero que se foda, mas eu posso contar… Não, não vou contar. Não me ponham contra a parede!
Parem de me olhar desse jeito! Agora!
Brendaly: Você já me contou nos bastidores, eu sei.
João Victor: Então por que que tu quer saber de novo, infeliz?
Brendaly: É porque eu quero que todo mundo saiba (risos).
João Victor: Desgraçada! Cretina!
Brendaly: Eu sou maldosa mesmo (risos).
João Victor: Percebe-se.
João Victor: Transei algumas vezes, não foram muitas. E quando eu perdi a virgindade…
Alexandre: Melhor do que zero.
João Victor: Quê?
Alexandre: É melhor do que zero.
Brendaly: É, não é virgem, pronto.
João Victor: É, claro. Como eu estava dizendo, eu descabecei, afoguei o ganso, molhei o biscoito… Cara, eu tô com medo de falar a data, velho. Sim, eu lembro dia, mês e ano.
Brendaly: Ahn…
Alexandre: Relaxa que a única pessoa, tipo, talvez muito importante que vá ver esse podcast seja seus pais.
Brendaly: É só não mostrar pra eles. É só não mostrar, só não mostrar.
João Victor: Eles vão ver, eles vão achar. Vão mandar pra eles!
Brendaly: Não tem problema, problema, pode falar.
Alexandre: Pode mandar no grupo da sua família também. Pode mandar pros seus pais, pra tio…
Brendaly: Tá, mas… não vamos perder o foco. Pode falar. Data, data, a gente quer saber tudo.
João Victor: 13 de março de 2022.
Brendaly: Ah, tem um tempinho.
João Victor: Faltava duas semanas pra eu fazer 22 anos. Um pouco tarde, vai.
Brendaly: Foi o seu presente de aniversário.
João Victor: É, adiantado.
Alexandre: Eu acho que é normal pra autista, tipo, ter esse tipo de experiência mais tarde. O meu também foi mais tarde.
Brendaly: O meu também foi mais tarde.
João Victor: Como foi a fudelança de vocês? Não vamos falar só de mim aqui, carai!
Como foi a fudelança?
Alexandre: É tipo assim, não é não querendo me expor. É realmente melhor eu não contar a história.
Brendaly: É, eu também acho. É, eu concordo, assim. É melhor não (risos).
João Victor: Três minutos?
Alexandre: Não, não é por isso. Você sabe da história já.
João Victor: Ah, tá. Disfarça, disfarça, disfarça.
Brendaly: Eu não vou contar, cara! Vocês sabem que tem muita coisa em jogo…
João Victor: Eu não insinuei nada. Eu não insinuei nada.
Brendaly: Eu não vou contar, porque, porra…
João Victor: Então não me ponha contra a parede!
Brendaly: Não, mas eu quero só te pressionar. Ser pressionado aí, é outros quinhentos. (risos). Eu acho, assim, coisa que a gente tem em comum é que todo mundo aqui pega mulher, né?
João Victor: Sim, perfeitamente.
Brendaly: É a única… (risos)
João Victor: Quanta compatibilidade, vocês não acham?
João Victor: Não, eu imaginei… Eu já tava pensando nisso já. Tipo, duas katanas e uma espada longa.
Alexandre: A espada longa é a minha.
João Victor: A espada longa é do Alexandre, porque ele é bi. Portanto, corta pros dois lados. Katana pra um lado, eu, katana pra outro…
Alexandre: Não foi isso que eu quis dizer com espada longa.
João Victor: Me ajuda a te ajudar, Alê. Na moral. Não vamos pro teu hiperfoco agora, filho.
Brendaly: Ah, tem isso! Tem isso! Tem isso! Bora, bora, bora!
João Victor: Não vamo pro teu hiperfoco agora, filho da p… Brendaly!
Brendaly: Hiperfoco em pinto, vai!
João Victor: Hiperfoco em pinto. A arte de desenhar bilaus.
Alexandre: Eu confesso, eu tenho um hiperfoco bizarro de fazer piada de pinto e ficar desenhando pinto em lugares aleatórios. Cara, eu viajei pra… Quando eu viajei pra Itália, eu tava simplesmente caminhando, tipo, eu tava na Ilha de Capri caminhando, de boa, e aí eu vi uma pedra no chão, e aquelas pedras, tipo brita, que se você raspa no asfalto faz o risco, né?
João Victor: Sim.
Alexandre: Eu vi aquilo e pensei, cara, é agora, é a hora. Aí eu fui, peguei a brita, tipo, peguei assim com o pé e fui desenhando o círculo, desenhando o cilindro, e a obra de arte original, desenhei uma pica na rua da Ilha de Capri.
(Risos)
Brendaly: Mas uma coisa que eu acho curiosa, é tipo, tu tem hiperfoco em pinto e até hoje só ficou com mulheres. Não faz sentido!
João Victor: Pois é, cara, explica isso pra gente! Não faz sentido. A conta não fecha, brother!
Alexandre: Não, é porque o meu humor parou na quinta série. É simplesmente por isso.
João Victor: Discorra.
Alexandre: Cara, sabe o que que eu… Eu já pensei sobre isso, na real. Eu acho que eu sei o que que é.
Brendaly: Hum.
João Victor: Hum.
Alexandre: Quando eu era mais novo, eu cresci numa família muito… Uma família conservadora. Eu cresci nesse tipo de família. Assim, os meus pais especificamente não são muito assim. Mas, porra, a minha família toda é, tipo, sabe? Família tradicional brasileira que participaria do 8 de janeiro?
Brendaly: É, temos algo em comum também.
Alexandre: É, tipo, a minha família é muito nessa vibe. E aí, eu cresci numa família muito recatada mesmo. E eu sempre gostei desse tipo de piada de humor negro. Sempre gostei de piada pesada, de, porra, piada de pinto, esse tipo de coisa. Só que eu sempre fui muito reprimido nesse tipo de coisa. Eu sempre falei muito palavrão também, mas se eu falar isso até hoje, eu tenho quase 30 anos, e até hoje se eu falar palavrão perto dos meus pais, eles me reprimem como se eu tivesse 12.
João Victor: Certo.
Brendaly: Mesma coisa.
Alexandre: Mas, hoje em dia, que eu já sou adulto e eu não tenho mais essa… Não tenho mais tanta repressão, pelo menos no dia a dia, com os meus amigos e tudo mais. Mano, eu solto piada de pinto pra cacete. Então é isso, eu acho que é por conta disso.
Brendaly: Uhum. Mas aí, tipo, a repressão, que eu acho que é outra coisa que a gente tem em comum aqui. Eu acho que todo mundo é agnóstico, né?
João Victor: Sim.
Alexandre: É, eu, sinceramente, eu não sei qual religião que eu sigo. Porque “religião”, entre aspas, eu não sigo nenhuma religião.
Brendaly: Espiritualidade, né?
Alexandre: Mas eu sou uma pessoa espiritual, inclusive eu rezo antes de dormir. Eu acredito em Deus.
João Victor: Não…!
Brendaly: Você acredita em Deus?
Alexandre: É, mas eu não sigo…
Brendaly: Então você não é agnóstico?
Alexandre: É, mas eu não sou cristão, tipo… Mas eu… Caralho.
João Victor: Obrigado, produção.
Alexandre: E eu, sinceramente, não sei muito bem o que eu sou, não.
Brendaly: Mas você acredita numa espiritualidade ou um ser supremo?
Alexandre: Eu lembro que a gente já teve esse papo, João Victor, no bar.
João Victor: Sim. Algoritmo. Algoritmo.
Alexandre: Eu tenho a mais absoluta certeza que a gente vive numa realidade, não necessariamente uma simulação de computador, mas a gente vive numa realidade que é controlada por alguém. Isso eu tenho a mais absoluta certeza. Eu observo muito as coisas, no geral, e eu já notei isso. Mano, parece que a porra do universo tem um algoritmo igual o algoritmo de recomendação do Instagram. Vou dar um exemplo. Eu tive o diagnóstico de autismo aos 26 anos. Depois que eu tive o diagnóstico, é literalmente qualquer lugar que eu ia, qualquer coisa que eu via, tinha alguma parada a ver com autismo. Tipo, um carro com adesivo de autismo.
Brendaly: Mas você não acha que é porque agora você começou a prestar atenção? Vou ser um pouco cética aqui.
Alexandre: Não, mas pode ser. Eu já vi essa explicação também, e eu acho uma explicação muito plausível. Tipo, agora é simplesmente porque eu presto atenção nesse tipo de coisa. Pode ser que seja isso mesmo. Mas ainda assim, é uma parada meio bizonha, saca? É porque não é só simplesmente isso.
João Victor: Vai além da percepção.
Alexandre: É além de muita coisa. Até é questão da minha vida pessoal mesmo. Tipo, sei lá, às vezes quando eu tava no fundo do poço, acontecia alguma parada que fazia uma reviravolta, saca, na minha vida. Um exemplo clássico que eu posso dar aqui, vou contar um pouco assim da minha história. Pra quem não sabe, eu era obeso mórbido. Eu pesava 130 quilos. E meio que tipo assim, quando eu tava no momento mais baixo da minha vida, simplesmente, não simplesmente, né, mas eu decidi mudar. Hoje em dia, porra, eu sou a pessoa que eu mais criticava no passado. O rato de academia. Eu tipo, sou extremamente rato de academia, de treinar, quando eu tenho tempo no dia pra isso, eu treino três horas, saca?
Brendaly: Você faz porque gosta.
Alexandre: E porque eu gosto, eu gosto de fazer exercício. Inclusive, o dia que tiver o episódio de academia, eu quero estar na mesa também.
Brendaly: Ok.
João Victor: Em termos de espiritualidade, cara…
Alexandre: Eu tô meio tonto já, mas…
Brendaly: É… É isso aí.
João Victor: “Não, eu não fico bêbado com vinho não, de jeito nenhum”.
Alexandre: Não, mas eu não tô bêbado, eu tô levemente tonto.
João Victor: Ah, pra mim… quase a mesma coisa.
Brendaly: Não, você tá tomando água, você não conta. Você não conta não.
João Victor: Não tem lugar de fala? Ah, vão à merda vocês dois, na moral.
Brendaly: Tipo, eu tô tomando só…
João Victor: Eu tenho amor pela minha saúde, pela minha vida, e também pelo meu quarto!
Brendaly: Não. Ninguém tá te obrigando, mas… (risos)
João Victor: Eu sei, cara. Hum…
Alexandre: Seu quarto, por que exatamente pelo seu quarto? O que você iria fazer bêbado no seu quarto?
João Victor: Sei lá, nunca parei pra pensar…
Alexandre: É, mas a gente tá parando pra pensar.
João Victor: O que você tá pensando? O que que eu, João Victor, faria bêbado no meu quarto, segundo o Alexandre?
Alexandre: Cara, a parada mais leve que eu pensei foi você mijando nas paredes. A parada mais leve (risos).
Brendaly: Gente, olha lá. A gente!
Alexandre: Caralho, muito bom!
João Victor: Tá… Caralho! Tá um pouco errado isso aí.
Alexandre: Incrível, incrível. Eu gostei que…
João Victor: Você tá com duas espadas, tu tá segurando a minha, então… E eu tô com a outra, só…
Brendaly: “Tá segurando a minha espada, caralho!” Porra!
João Victor: Eu tô bem ali com a mão na sua bunda, tá ligado?
Brendaly: É, cadê seu outro braço ali?
João Victor: Ô, Alexandre, até o ChatGPT te entregou, cara. O algoritmo realmente entrega, viu, filho?
Alexandre: Eu fiquei feliz que o ChatGPT me deixou com um corpo… bonito.
João Victor: O mais fiel foi a Brendaly, porque tá com a katana ali, véi.
Brendaly: Não, mas tipo assim, meu cabelo tá meio liso, gente. Pelo amor de Deus, extremamente liso.
Alexandre: Mas eu, eu tenho uma crítica. Essa katana tá errada.
Brendaly: Tá?
Alexandre: A katana… Essa katana tá com uma empunhadura muito grande pra uma lâmina muito pequena.
Brendaly: Entendi.
Alexandre: Porque uma katana com uma empunhadura desse tamanho teria que ser uma Dai Katana.
Brendaly: Ahn, entendi.
João Victor: Tá bom, hiperfocado.
Brendaly: É, eu não entendo.
Alexandre: Eu fiz Kenjutsu.
João Victor: Por isso que tu gosta de segurar a espada, né, infeliz?
Brendaly: (Risos)
Alexandre: Primeiro que a katana, ela tem uma lâmina mais curva. Segundo que isso aí seria… Pelo tamanho, seria uma Wakizashi.
João Victor, já que o episódio… é… enveredou para bullying com você, vamos falar de Abracadabra da Lady Gaga.
João Victor: Claro, lógico.
Alexandre: E de todo o seu discurso sobre como seria divertido comer alguém ao som de Abracadabra.
João Victor: Tô mentindo? Tô mentindo?
Alexandre: O pior é que não.
João Victor: Obrigado por concordar. Obrigado.
Alexandre: Brendaly, você chegou a ver esse vídeo?
Brendaly: Eu cheguei a ver.
Alexandre: É muito bom.
Alexandre: Caraca, eu queria muito que pudesse colocar esse vídeo do João Victor falando…
João Victor: Querer não é poder, meu querido.
Brendaly: Mas discorra sobre esse vídeo e discorra sobre seus argumentos.
João Victor: Tá, vamos lá. Num momento de euforia, num momento em que parecia que eu estava bêbado, não consumo álcool…
Alexandre: Ainda.
João Victor: Dona Erbene me expulsa de casa!
Alexandre: Ainda não consumiu álcool.
João Victor: Dona Erbene me expulsa de casa! Mamãe…
Alexandre: Não seja por isso.
João Victor: Sai daqui. Sai daqui! Mamãe, é só eles, tá? É só eles que estão embriagados.
Alexandre: Ah, sim, porque a gente que… Não, tá, foi a gente que começou falando de putaria mesmo.
João Victor: Exatamente, ainda bem que sabe. Eu imaginei literalmente um cenário, do nada, eu estava eufórico, eu tava bem, estava feliz. Eu imaginei um pentagrama desenhado no chão pegando fogo, tipo um ritual mesmo, sabe? Daqueles bem trevosão, um pentagrama bem grande pegando fogo. E eu enrabando alguém lá. “Tuts, tuts, tuts, tuts”. Não sei por que eu fiz esse “tuts, tuts”.
Alexandre: Ao som de Abracadabra da Lady Gaga.
João Victor: Faz sentido. É, ao som de Abracadabra.
Alexandre: Segundo palavras do próprio João Victor, no “abra” tira, no “cadabra” põe.
Brendaly: Mas isso numa mulher? Vamos deixar mais específico.
João Victor: Sim, sim.
Alexandre: No caso do João Victor, sim, porque ele é hétero.
Brendaly: Ah, mas nunca se sabe, né? Às vezes na empolgação a gente solta algumas coisas que…
Alexandre: Olha, às vezes… Tem uma regra, eu tenho uma regra pra minha vida, que é o seguinte: não tome decisões muito importantes se você estiver com raiva, com medo ou com tesão. Porque na hora, principalmente na hora do tesão, a gente toma decisões que…
João Victor: Precipitadas.
Alexandre: É, muito precipitadas.
Brendaly: Ou bêbados também, né?
Alexandre: É, bêbados também.
João Victor: Pois é, né, gente.
Alexandre: Tem outras músicas que eu sei da Lady Gaga que dá pra transar. Bad Romance. É porque eu não conheço muito Lady Gaga. Mas Bad Romance é uma boa.
João Victor: Cara, tinha uma que eu ouvia pra caralho.
Alexandre: Poker Face. Poker Face dá também.
João Victor: Just Dance também. É Just Dance o nome?
Alexandre: Mas Poker Face seria meio broxante, né, pelo nome. Porque Poker Face lembra aquele meme de 2011 do cara…
João Victor: Sim, sim. Aqueles dois pontinhos, uma barra embaixo.
Alexandre: É, eu transaria o som de Alejandro, velho. Porque parecia que a música tá falando de mim, saca?
Brendaly: Aaaah… Massa, faz sentido!
João Victor: Pior que faz sentido, velho.
Alexandre: A música Alejandro. Alejandro é sobre o que a música? Não sei.
Brendaly: Ai, eu não lembro.
Alexandre: Eu não entendo muito. Meu repertório de Lady Gaga parou em 2012, sei lá.
João Victor: O meu também parou, eu só voltei a ouvir depois que ela veio pro Brasil. Literalmente.
Brendaly: Caramba.
João Victor: E eu sempre atrás do Alexandre! Inacreditável!
Alexandre: Ô, por que você me colocou mais baixinho se eu tenho a mesma altura que ele? (risos)
Brendaly: Eu tenho 1,56m, gente.
Alexandre: Caralho, a Brendaly tá gigantesca.
João Victor: A Brendaly tá quase me alcançando, filho.
Brendaly: Eu gostei, eu gostei.
Alexandre: Eu sou tipo 15 centímetros mais alto que a Brendaly e ela tá mais alta que eu.
Brendaly: Você tem quanto de altura?
Alexandre: 1,70m.
Brendaly: Porra, eu tenho 1,56m.
João Victor: Eu tô sempre atrás do Alexandre e sempre com um braço e uma mão escondidos.
João Victor: Atrás do Alexandre. Revelações bombásticas. Ou insinuações.
Brendaly: Em relação a…
João Victor: Tá, vamos lá, vamos lá, vamos lá. A crença no cristianismo católico nunca me desceu, bicho. Nunca me desceu, não quero entrar em detalhes no porquê.
Brendaly: Mas em outras religiões também é a mesma coisa?
João Victor: Cristianismo evangélico, já fui em uma… em célula pra conhecer…
Alexandre: Eu já fui também.
Brendaly: Você já foi também?
Alexandre: Já fui.
João Victor: Ridículo, ridículo.
Brendaly: Ai gente… eu amo! (risos)
Alexandre: O meu dia era divertido, eu tratava como um grupo de amigos.
Brendaly: Cara, eu tive hiperfoco em religião, né? Só que tipo assim, eu sou… A minha voz já foi embora. Eu sou filha de pastor, né? Aqui todo mundo sabe, mas o pessoal fica sabendo agora, eu sou filha de pastor. Então eu cresci, nasci na religião ali. Meu pai na verdade não é consagrado ainda, mas tá pra ser consagrado. E eu, sapatão, né gente? Então assim, passei pela cura gay, quando eu tinha 12 anos, uma espécie de cura gay. Fui mandada pro encontro e tal.
João Victor: Caralho!
Brendaly: Então assim, religião pra mim é uma pedra no sapato.
João Victor: Delicado.
Brendaly: Não, não consigo me ligar a nenhuma religião. Fala, Tiago.
Tiago: Conta o que é um encontro com Deus.
Brendaly: Então, encontro com Deus é tipo como se fosse um retiro espiritual, que você fica três dias. Geralmente eles pedem pra você não usar o celular ou entregar o celular, se eu não me engano. Eles pediram o meu celular.
Alexandre: Igual sequestro, então?
Brendaly: Mas foi quase isso, porque tipo assim, eu não tinha nenhum tipo de contato com mulheres, assim. Ter beijo, relações sexuais, nem nada. Mas eu tive meio que um “hiperfoco” numa menina e tal. E minha mãe pegou. Só que não teve nada. Aí pegou, me pegou assim e falou assim: “vai pro encontro”. Me jogou dentro do ônibus. E aí eu fiquei três dias lá sem celular, sem nada. E aí é tipo, cara… Eu não quero ser cancelada, mas quase que uma lavagem aí cerebral ali, saca? E aí falando de palavras, e aí fala, né, o homossexualismo e não sei o quê. As pessoas sabiam porque eu estava lá.
E aí no primeiro dia não fizeram a minha cabeça. Segundo dia, pro final do segundo dia, conseguiram, saca? E aí foi tão traumático que eu perdi a memória. Eu perdi a memória do que tinha acontecido, saca? E dias antes. Então assim, muita coisa eu lembro… da minha mãe contar. Mas eu não lembro assim, da minha memória mesmo, eu não lembro de muita coisa, porque foi traumático. Aí voltei de lá tipo crente, saca? Assim, crente e falando que a homossexualidade é errada e não sei o quê. Tipo, bem homofóbica mesmo, saca?
João Victor: Caralho…
Brendaly: E até tinha pessoas que eram LGBT’s, na época que eu conhecia, que vieram conversar comigo depois e eu falava assim, “você tá errada e não sei o quê”, era uma amiga minha, saca? E depois disso eu fiquei hiperfocada em religião por muito tempo, até mais ou menos meus 18 anos.
João Victor: Eu tive uma sorte tremenda nesse caso, porque mesmo tendo sido criado em colégio católico, feito a primeira eucaristia, meus pais conseguiram perceber que não era a minha praia. E a última tentativa deles… a última esperança deles foi me colocar num curso de catequese de crisma. Aguentei um ano e meio só. Tipo, eu brigava muito com catequista, tinha muita discussão, nos últimos seis meses principalmente, porque eu questionava mesmo, sabe? Não vou entrar nos pormenores, não convém pra esse episódio, mas eu simplesmente não aceitava. E eu acho, tenho certeza do quão impositivo é esse tipo de crença, esse tipo de fé.
Eu me considero agnóstico, talvez cético, eu tento acreditar em alguma outra coisa, eu tento me inclinar a estudar ocultismo, esoterismo, porque pra eles, tipo assim, tanto faz se tu acredita ou não, foda-se, sabe? Você é livre!
Brendaly: Mas, assim… voltando o gancho, assim, eu não tenho nada contra, tenho até amigos que são pessoas evangélicas, mas assim, desde que tem um respeito ali, saca? Assim, que geralmente a gente não percebe, não tem.
João Victor: Pois é.
Brendaly: Em relação à sexualidade, identidade de gênero e tal, é pregado como se realmente fosse pecado, como se eu escolhesse. Gente, eu nasci num ambiente cristão, você acha que fosse pra escolher eu escolheria, assim, passar por tudo isso? É muito foda, assim, é muito foda você ser sapatão, eu não sou nem bi, eu sou sapatão, e tendo uma… Olha, “obrigado a todos”.
João Victor: Cara, isso ficou lindo.
Brendaly: É isso.
João Victor: E pela primeira vez eu não tô atrás do Alexandre.
Brendaly: E aí, tipo, tendo uma família desse jeito, saca? Sair do armário, que não tem muito tempo, pra minha família foi uma coisa muito tensa, saca? Assim, muito tensa mesmo, de tipo, um olhar de decepção, sabe? Porra, tu ficou tanto tempo aí, sendo hétero e tal, e agora com mulher, então… A gente tá indo pra um assunto muito deprê, né? (risos)
Alexandre: Assim, mas eu tenho uma história engraçada, porque a minha família achava que eu ia ser padre.
Brendaly: Sério?
João Victor: Nossa.
Alexandre: Eu era, tipo, bem ligadão com igreja, assim, igreja católica, né, e tal. E aí, só que depois de um tempo, eu comecei a, tipo, questionar. Teve uma época que eu me declarava ateu, mas eu acho que eu nunca fui de fato. E aí, hoje em dia, tô no que tô agora. Tipo, eu acredito em Deus, mas eu não sigo nenhuma religião. Mas é engraçado, tipo, eu cheguei a fazer a primeira comunhão, fiz catequese, uma pancada de coisa, e eu era bem ligado, assim, com a igreja.
Brendaly: Mas você não consegue se ligar à religião ou é porque você realmente…
Alexandre: É porque, assim, eu não sou muito… Paradas de dogma, saca? “Ah, você tem que seguir isso aqui.” Porra, mas isso aqui poderia fazer sentido 2 mil anos atrás, hoje em dia não, saca? Porra, a Bíblia fala que tu não pode comer camarão. Se for assim, eu vou pro inferno com gosto, porque eu amo camarão, saca?
Brendaly: Não pode utilizar… tecido… Dois tipos de tecidos.
Alexandre: É, e tipo, hoje em dia, que roupa que você usa que não tem mais de um tipo de tecido, saca?
João Victor: São umas especificidades que hoje, para 2025, são tão ridículas. Eu tento acreditar em Deus. Ou em alguma força suprema, criadora, mais ou menos aos moldes do que o Alexandre falou agora há pouco. A mera ideia de morreu, cabô, pra mim, é tão brutalmente aterrorizante. Sério, de verdade. Assusta, assim. Eu não consigo conceber que é como um descanso, pode falar.
Brendaly: Mas aí, tipo assim, você não… Você pode ver isso de uma outra forma, assim. Se morrer, cabô, você tem que viver aqui.
João Victor: Não, é!
Alexandre: É.
Brendaly: Entendeu? É viver aqui e fazer, tipo, lógico, respeitando as leis e tudo.
João Victor: Lógico!
Alexandre: A gente pode falar de estoicismo, então? Para estender o episódio em três horas?
Brendaly: Pode. Pode (risos).
Alexandre: É porque eu tenho uma visão bem… Eu tenho uma visão bem, assim, o mundo e o universo funcionam em ciclos, né? Então, tipo assim, a ideia de morreu, cabô. Pra mim, não morreu, cabô. Pra mim, eu morri, eu vou transformar em outra coisa, saca?
João Victor: O quê, mais precisamente?
Alexandre: Cara, não sei. Pode ser desde uma pedra, até um leão, até… sei lá, uma esponja do mar.
João Victor: Mas você entende que quando eu falo “morreu”, “cabô”, é tipo… Eu quero poder, pelo menos, sei lá, quando eu morrer, seja hoje ou seja daqui décadas, ter alguma lembrança do que eu fui num post-mortem, sei lá. Não aos moldes do céu católico ou do inferno, sei lá, que porra… Que gracinha.
Brendaly: Que bonitinho! (risos)
Alexandre: Por que eu virei um padre?
João Victor: E por que eu tô com essa ca-… com essa regata?
Alexandre: Sacanagem dos ilustradores, viu? Porque o ilustrador foi só o ChatGPT.
Brendaly: Eu gostei pra caralho! (risos)
João Victor: Não, ficou massa, cara. Só não entendi essa regata aí.
Brendaly: Ficou muita coisa.
Alexandre: Essa regata é… é muito gay, essa regata.
João Victor: Muito.
Brendaly: Tipo, seu futuro, cê…
João Victor: Uma pergunta que certamente não vai ser respondida aqui, nem hoje, nem daqui a muito tempo. Eu me pergunto como os religiosos acham que conseguem ter um conhecimento tão privilegiado sobre a verdade absoluta do universo. Isso pra mim não me desce de jeito nenhum. É muito mais fácil pensar… Na verdade, não é muito mais fácil. Tipo, um Deus onipresente, onisciente, onipotente. Como é que nós, com cérebro limitado, tridimensional, de carne e osso… Osso não, né? Oooh… vamos conceber um ser desse calibre?
Alexandre: Então, mas é a parada até tipo, meio Lovecraftiana. E, inclusive, eu acredito que, tipo… Eu acredito em Deus, e pra mim, Deus é uma parada bem… O que alguém tipo Lovecraft iria descrever. Tipo assim, uma parada completamente indescritível, que só de você olhar, você ficaria louco, porque você não iria simplesmente conseguir conceber e interpretar o que é aquilo.
Brendaly: Cara, mas assim, vamos lá. Se tem um Deus regendo o universo… Tipo, você não acha que ele tá errando pra caralho, assim, não? (risos)
Alexandre: Então, não. Não, porque…
Brendaly: Mas não é muita coisa, tipo… Cara!
Alexandre: Não, porque a ideia de moralidade é uma ideia completamente humana.
Brendaly: Não, mas não tô falando de moralidade, cara.
Alexandre: Então, a ideia de certo e errado, de o que é acertar e o que é errar, é uma ideia completamente humana.
Brendaly: Gente, mas tem gente passando fome, não tem certo e errado disso!
Alexandre: Então, a questão é que pra um ser de moralidade… Não de moralidade, mas um ser de capacidade muito superior à nossa, não importa. Passar fome… Algumas pessoas passarem fome, pra eles seria necessário pra evolução do que ele tá tentando criar.
Brendaly: Porra, aí eu acho que é tipo um Deus muito… Muito hard, assim, eu não dou conta.
Alexandre: Imagina que você quer construir uma casa. E você comprou um lote. E nesse lote tem um cupinzeiro, ou um formigueiro. Você vai deixar esse formigueiro lá pra construir tua casa? Não, foda-se, você vai simplesmente destruir aquele formigueiro. E é simplesmente dessa forma que um ser divino, completamente amoral, sem o conceito de ética e moralidade humana, iria ver a gente.
Brendaly: Então você tá falando que Deus é tipo… Sem moral, é isso?
Alexandre: Sim, completamente amoral, saca? Foda-se.
Brendaly: Então ele tá brincando com a gente, seria isso?
Alexandre: Tipo isso, a gente é tipo um The Sims pra ele.
João Victor: Olha, se tão brincando comigo, Deus, no caso, eu não sei, mas o digníssimo da produção, com certeza.
(Risos)
Alexandre: Caralho, colocaram a Lady Gaga.
Nicolas: É a Lady Gaga, não.
Brendaly: Ah, é a Sia?
João Victor: Não.
Alexandre: Não, é a Lady Gaga.
João Victor: Pensa um pouco, Brendaly, pensa um pouco.
Brendaly: É quem?
Alexandre: É pra ser o João!
Brendaly: Mas como que é o João, gente? Tá totalmente diferente!
Nicolas: E ainda sem óculos.
Alexandre: Brendaly, é melhor você diminuir o vinho também, porque eu também tô ficando meio tonto.
Brendaly: Gente, eu não tomei nem aquele pouquinho ainda.
Alexandre: Caralho, eu já tomei duas canecas!
(Risos)
Nicolas: Pessoal, interrompemos a programação para anunciar uma novidade. Eu sou o Nicolas, responsável pela parte técnica, diretor e maior crítico do podcast. E eu quero mostrar pra vocês as nossas linhas de camisetas do Introvertendo, principalmente. Assim, foram criadas por integrantes da formação original, então são exclusivas. Todo lucro delas, toda renda que vier delas vai ser destinada tanto ao podcast, quanto também ao próprio NAIA, que é o nosso pai maior, assim, do nosso podcast.
E, assim, as estampas foram feitas por autistas, então esperem camisetas autistas. Temos aqui os nossos Starter Pack, por exemplo. Essa estampa que tem os principais itens que um autista estereotipado apresenta. E eu quero perguntar pra vocês quais são os principais itens que um autista precisa para começar neste mundo maravilhoso do autismo.
Alexandre: Abafador de ruído, Pokémon. E os que estão aí, né, na… na camiseta mesmo, já são, enfim, o essencial. Ônibus, trem, avião, cubo mágico e o caralho a quatro.
Nicolas: Um alô, alô a todos os busólogos do Brasil inteiro. Esse aqui é o 003, o famoso ônibus de Goiânia, mas também pode representar qualquer ônibus desse Brasil, porque todos são maravilhosos, todos são lindos e todos merecem um lugar especial no seu coração.
Alexandre: Inclusive o BRT que tem ar-condicionado.
Nicolas: O outro aqui é o nosso famoso representante azul, o Sonic. E eu espero que toda a comunidade furry também se sinta abraçada por isso, porque ele é importante para nós, é importante para vocês, é importante para todos no Brasil.
João Victor: Mesmo com todas as controvérsias, eu gostaria de destacar que falta um elemento essencial.
Alexandre: O pezinho do Sonic.
João Victor: Também, mas algum…
Alexandre: O Sonic pelado.
João Victor: Nada relacionado ao Sonic. Relacionado ao Sonic. Ô dicção merda. Algum brinquedo relacionado a dinossauros, né?
Nicolas: É, realmente, isso foi uma falha da equipe técnica, desculpe.
Alexandre: É, verdade.
Nicolas: Esperem novas novidades, porque as novidades virão e as novidades de outras estampas suprirão todas as necessidades. Continuando, temos aqui também representantes dos cubos mágicos, ou seja, qualquer tipo de otário que resolve isso em três segundos, vocês estão representados! Esse é o seu momento, você vai brilhar aqui.
E também o abafador de ruído, que é o item essencial para qualquer autista se socializar,
entrar em um evento com mais de duas pessoas ao mesmo lugar. Essa é a nova linha de produtos do Introvertendo, feita por autistas para autistas.
Alexandre: Vocês iriam num show gospel?
Brendaly: Não, de jeito nenhum, mas nunca. Mas nem fodendo, assim, nem fodendo!
João Victor: Não! Não mesmo. Não, por favor.
Alexandre: Cara, eu iria no show do padre Fábio De Melo.
Brendaly: Não.
Alexandre: Porque… porque ele é muito bonito.
Brendaly: Olha só, revelações!
Alexandre: Ele é um cara bonito. Não, minto, minto, sabe o que eu faria? Eu iria num show do padre Marcelo Rossi. Mas não seria para ouvir as músicas, seria para perguntar: “mano, como que tu meteu esse shape foda?”
Brendaly: Nossa, foi um shape.
João Victor: É, realmente. Mano, o cara estava só o palito, brother.
Brendaly: Ele estava em depressão, né?
João Victor: Ele estava afundado na depressão, tá maluco?
Alexandre: Ele estava fodido.
João Victor: Estava até corcunda, viado.
Alexandre: Eu me identifico, saca? Porque, igual eu falei antes, eu perdi peso pra caralho, e eu sou rato de academia agora. Mano, eu quero saber como é que o padre Marcelo Rossi… né, porra, virou o… stand de Jesus, saca?
Brendaly: Um armário.
Alexandre: O cara real parece um personagem de anime agora.
Brendaly: Gigantesco.
João Victor: Um monstro.
Alexandre: Se a cruz pesada for, eu carrego no supino, porra.
Brendaly: Muito bom, muito bom.
(Risos e aplausos)
Brendaly: Você falou que acha ele muito bonito.
João Victor: Dá pra tirarem minha fantasia, fazendo um favor?
Brendaly: Mas não interrompe, cara! (risos)
João Victor: Desculpa, desculpa.
Brendaly: Deixa eu fazer um cronograma.
João Victor: Fique à vontade, fique à vontade.
Brendaly: Vamos lá, vamos lá. Puxando a pauta, né, você falou que ele é muito bonito.
Alexandre: Ele é um cara bonito.
Brendaly: É, beleza, mas assim, qual é esse nível de admiração? Assim, porque porra, tu tem hiperfoco em pinto (risos). Vamos lá, acha o padre bonito. Então assim, até onde a gente chega?
Alexandre: Então, é tipo assim, hiperfoco em pinto não é o termo certo. É hiperfoco em humor relacionado a pinto.
Brendaly: E desenho.
Alexandre: E desenhar. E que tem a ver com humor também.
Brendaly: Certo.
Alexandre: Mas é tipo assim, beleza, acho bonito? Acho. Mas não pegaria, porque eu acho muito masculino.
Brendaly: Não pegaria um homem?
Alexandre: Não, tipo assim, sei lá, eu ficaria com um, sei lá, um femboy da vida, eu ficaria.
Mas um cara muito masculino já não me atrai.
Brendaly: Uhum, mas um femboy?
Alexandre: Sim.
Brendaly: É, então realmente tu é…
Alexandre: Mas é engraçado, tipo, eu…O femboy pegaria, e eu pegaria uma tomboy também.
João Victor: Tom o quê?
Alexandre: Tomboy. É uma mulher que tem traços mais masculinizados. Tipo assim, uma mulher mais bombada, por exemplo.
Brendaly: Então realmente tu é bi então.
Alexandre: Provavelmente sim. Bicho, eu tenho dúvida de uma pancada de coisa da minha vida. Eu acho que a sexualidade seria só uma delas. Mas o que eu gosto de pensar é o seguinte. Eu não sou uma pessoa cheia de respostas, eu sou uma pessoa cheia de perguntas.
Brendaly: Caralho, foi profundo isso.
Alexandre: Mas é pelas perguntas que eu aprendo. Eu aprendo com os meus erros, então eu erro mais pra aprender mais.
Brendaly: Filosófico, gostei.
João Victor: Já que me designaram essa tarefa, o podcast Introvertendo é feito com a produção do NAIA Autismo em parceria com os estúdios da Faculdade Realiza. Siga-nos (não corta, Tiago, vou falar) nas nossas redes sociais, todas elas são @introvertendo.
Eu sei que fui o que falei menos, eu sei que não bebi uma gota de álcool. Eu sei que o Nicolas tá querendo me matar nesse exato momento por eu estar parecendo mais bêbado que meus dois colegas e por eu estar enrolando pra cacete, mas eu quero que se foda! Tchau pra vocês. Um beijo.
Brendaly: Um beijo.
[Vinheta de encerramento]
Alexandre: Cara, eu tô… eu tenho que tomar cuidado pra descer a escada.
João Victor: Certeza que não quer ajuda pra levantar?
Alexandre: Não, tá de boa.
João Victor: Certeza?
Alexandre: Absoluta.
*
Ficha técnica do episódio
Direção geral: Tiago Abreu | Direção de vídeo: Nicolas Melo | Imagem: Nicolas Melo | Capa: Alexandre Stacciarini | Edição de áudio e vídeo: Tiago Abreu | Transcrição: João Victor Ramos

