Introvertendo 314 – Autismo e Tarefas Domésticas

Limpar o chão, colocar o lixo fora, lavar e secar roupa, escolher os produtos ideais, cozinhar no horário certo e com as medidas corretas… a lista de afazeres domésticos é gigantesca e nunca tem fim. Neste episódio, nossos podcasters fazem um raio-X de tudo o que envolve o autismo, as disfunções, as tarefas domésticas e a vida adulta. Participam: Ana Júlia Arantes, Gustavo Borges, Izabella Pavetits e Marx Osório.

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Transcrição do episódio

Izabella: Oi, pessoal, meu nome é Izabella, estamos conversando mais um episódio do Introvertendo. Já pega a sua vassoura, a sua panela ou arqui inimigo de escolha, porque hoje nós vamos falar sobre autismo e tarefas domésticas.

Ana Júlia: Olá, meu nome é Ana Júlia, eu sou psicóloga e neuropsicóloga de adultos neurodivergentes e a minha noiva autista é obcecada por arear a panela.

Marx: E aí, meus queridos, tudo bem com vocês? Eu sou Marx Osório, farmacêutico, e faxina é uma atividade extremamente cansativa, mas extremamente importante, sem a qual a casa fica num estado onde eu me desregulo muito. Então eu detesto, mas gosto do resultado dela.

Gustavo: Eu sou Gustavo Borges, e incontáveis louças já foram lavadas ouvindo a primeira informação do Introvertendo.

Izabella: Além do nosso site, introvertendo.com.br, nós estamos no Twitter, Facebook, Instagram e TikTok, é tudo @introvertendo. Se você estiver assistindo o podcast em vídeo, eu queria te convidar para assinar o canal do NAIA Autismo.

Caso você seja daquelas pessoas que não faz faxina sem escutar um bom podcast, considere apoiar a gente. Nós estamos no Apoia-se, Catarse e Patreon. O Introvertendo é um podcast feito exclusivamente por autistas com produção do NAIA Autismo.

[Vinheta de abertura]

Izabella: Infelizmente ou não, enquanto tiver pessoas vivendo em um ambiente, sempre vai ter uma faxina para fazer, um quarto para arrumar, uma comida, ou sei lá, um cacareco para organizar. Então, querendo ou não, tarefa doméstica faz parte da vida de todo mundo, não tem como fugir delas.

A grande questão é que os autistas têm mais dificuldade de formar hábitos do que as outras pessoas. Às vezes, o que acontece de forma automática, a gente tem que passar por todo um processo diferenciado para conseguir lidar com isso, porque são muitas possíveis dificuldades envolvidas no ato de você cuidar de uma casa.

Os primeiros contatos que a pessoa tem com tarefas domésticas dependem muito porque são influenciados por questões de gênero, classe, raça. Por exemplo, mulheres tendem a ser cobradas mais cedo do que meninos, enfim. Como foi essa questão de vocês? A partir de que momento vocês foram cobrados isso em casa? Alguém ensinou? Como é que foi?

Marx: Bom, eu acho que essa questão, ela depende muito de como é a cultura do ambiente que as pessoas vieram. Eu vim de um contexto onde as tarefas domésticas tinham uma divisão meio desigual. A minha mãe ficava com a maioria das coisas. Apesar de a gente tentar fazer uma divisão e ela sempre tentar ensinar a gente a fazer as coisas, eu aprendi a fazer muita coisa ainda criança, de atividade doméstica. Isso, de certa forma, me ajudou a conseguir ter um pouquinho de desenvoltura em algumas coisas, inclusive atualmente, de conseguir fazer o mínimo para manter uma casa minimamente funcionando.

Muitas vezes eu vejo que a maior dificuldade que eu tive, principalmente na época que eu morei sozinho a primeira vez, é com a constância. Eu tinha muito aquela característica de fazer, de ter um dia que eu queria fazer tudo, que eu queria arrumar tudo de uma vez, aí eu começava a fazer, aí quando chegava na metade, eu ficava cansado, a cabeça começava a cansar. Porque não é só o cansaço físico da atividade em si, mas o fato de você ter que pensar o que fazer, de você ver cada detalhezinho, de você ter que estar calculando o tempo todo as coisas, acaba cansando muito a cabeça.

E o fato de que… Isso eu melhorei com o tempo, mas tinha muita coisa de enquanto não estivesse 100% perfeita a limpeza, eu não parava de limpar. É uma coisa meio perfeccionista ali que atrapalha.

E hoje eu vejo que é muito mais importante você conseguir ter uma constância de limpar as coisas, de arrumar as coisas com regularidade, mesmo que não fique 100%, do que você querer fazer tudo de uma vez e não conseguir. Aí vem a frustração. “Porque eu não consigo, porque eu sou um fracasso, que eu não dou conta de nada”. E aí muitas vezes vem a voz intrusiva na cabeça da gente, de que “ah, porque não dá conta”. É uma eterna bagunça que não acaba. Então, assim, tem muitas questões envolvidas.

Ana Júlia: Eu acho interessante você ter falado do recorte de gênero. A gente, enquanto mulher, tende a ser ensinada mais cedo que a gente vai cuidar de uma casa, que a gente vai ter filhos. Até as brincadeiras de menina, né? Você brinca de casinha, você brinca com boneca neném. Eu lembro que um dos brinquedos que eu mais gostava quando era criança era um kitzinho que vinha a vassoura, o rodinho e a pá.

Izabella: Ah, eu lembro disso! 

Ana Júlia: Eu ficava ajudando a minha mãe a varrer a casa. Eram brincadeiras de criança, mas que querendo ou não, já vão moldando a gente. Ao passo que meu irmão jogava videogame. Mas nesse sentido, assim, a minha mãe… Minha mãe é pedagoga. E ela sempre cobrou muito que nós dois fizéssemos todas as atividades iguais. Então, assim, vai aprender a arrumar a cama, os dois. Vai limpar seu quarto, os dois. Vai aprender a fazer comida, os dois. Então, a minha mãe sempre foi bem firme com a gente nesse sentido.

Só que, como a gente cresceu num contexto muito machista, família rural, enfim, muitas vezes discutiram com a minha mãe e brigaram de “Por que você tá deixando o João Victor, meu irmão, lavar a louça? Que menino não lava a louça. Quem devia estar fazendo isso era a Ana Júlia”.

E eu me lembro muito bem de um dia que a minha mãe não estava em casa, porque era ela que impunha esses limites, que o meu irmão estava lavando louça, eu estava limpando a casa. O meu avô chegou e achou aquilo um absurdo que o meu irmão estava fazendo tarefas domésticas, que era coisa de mulher. Ele fez o meu irmão parar de lavar louça e me fez ir pro lugar dele. E eu, como criança, né, pré-adolescente, eu não soube questionar aquilo.

Então, aí, enfim, né, os contextos mudaram, a gente cresceu, enfim. Saí da casa da minha mãe há pouco menos de dois anos. E eu achei que eu estava muito preparada (risos), porque a minha mãe sempre foi aquela pessoa que eu não sei o que ela faz. Assim, a casa está sempre limpa, nunca tem um prato na pia, todas as roupas estão sempre lavadas, passadas, dobradas no armário de todo mundo. E assim, sem a ajuda de ninguém. Eu sempre vi ela fazendo isso muito bem. E quando eu fui para a minha casa, eu me cobrava muito para tentar fazer igual. E aí eu vi que eu não conseguia.

E veio uma frustração muito grande, assim, de “Meu Deus, eu sou péssima nisso. Eu não consigo manter a minha casa”. Tem dia que eu deixo a louça suja, tem dia que eu não consigo arrumar a cama. E um cansaço extremo, assim. E as coisas, gente, não acaba. Não acaba.

Marx: Não acaba.

Gustavo: Jamais.

Ana Júlia: O serviço de casa não acaba. E aí teve um dia que eu liguei para a minha mãe chorando, assim. E falando: “Mãe, eu não vou conseguir morar sozinha”. E querendo muito voltar para a casa da minha mãe, assim. E aí foi ela que falou: “Não, você consegue, tá tudo bem”.

Mas foi um processo. E a minha noiva teve um papel muito importante nesse sentido. Porque em todas as crises que eu entrei, assim, no começo, ela falava: “Olha, você é a minha parceira, a minha esposa. Você não é a nossa empregada, né. A casa não tem que estar sempre perfeita”. Então, isso foi muito importante também.

Gustavo: Fora a maldade de você se comparar. “Ah, tudo bem, tem seis meses que eu tô cuidando de uma casa sozinha” versus uma pessoa que tá há mais de 20 anos limpando o ambiente todo dia. Ela tem mais experiência acumulada. 

Ana Júlia: Olha, eu nunca tinha pensado sobre isso. Eu nunca tinha pensado sobre isso (risos). 

Gustavo: A primeira lembrança que eu tenho, assim, de afazeres domésticos reais e práticos, não é só ajudar, não é só recolher pratos, é que em determinado momento, minha mãe resolveu que eu iria lavar as louças de domingo. Eu, como um pré-adolescente bem chato, afinal de contas, eu sou um adulto bem chato, não sou mais pré-adolescente. Eu questionei, eu achei um absurdo, eu me revoltei: “Não, porque a gente tinha funcionária na época, a funcionária vem amanhã e ela limpa. Por que eu?”.

E eu gastei uns bons meses reclamando e lavando prato e vasilha até perceber que um dia eu ia precisar fazer isso. Então, nesse ponto, obrigado, mãe. A gente teve outro episódio recente aí de vários problemas familiares e esse não foi um deles. Era realmente uma lição necessária. E hoje eu sou a pessoa que melhor lava a louça lá em casa (risos).

Marx: É muito interessante o que você falou sobre a gente se cobrar fazer igual. Era na nossa casa antiga, na casa dos pais. E eu demorei muito tempo para perceber que essa dificuldade de fazer as coisas ficarem impecáveis, ela não é só porque nossas mães, elas meio que eram obrigadas a fazer isso e se dedicavam muito tempo. Eu não sei se a sua mãe trabalhava fora também, além de cuidar de casa. 

Ana Júlia: Teve um período que não, que ela ficava só por conta da casa.

Marx: Porque isso também faz uma diferença enorme. Você ter tempo para dedicar só àquilo, sem estar preocupado com outras coisas também ajuda. E o fato de que eu demorei muito tempo para entender que a nossa dificuldade é intrínseca mesmo, em alguns casos. A disfunção executiva é real. O nível de energia mental que a gente tem para esse tipo de atividade às vezes é muito menor do que de uma pessoa que não é autista. E também tem algumas atividades que cansam mais que outras, porque é mais “desmotivador” do que outras.

E essa autocobrança de querer que fique perfeito, ela gera frustração quando não consegue e gera uma desmotivação de você querer fazer de novo. E isso é uma coisa que tem que ser trabalhada constantemente. Hoje em dia, o que eu faço? Eu tento fazer aquilo que está em pior estado. Porque eu tenho muitas demandas.

Eu acho que a maior dor que a gente tem quando sai da casa dos pais tendo a condição autista é justamente entender que as coisas têm que ser do jeito que a gente dá conta. E principalmente pensar na qualidade de vida que aquilo vai dar para você e não ficar se martirizando porque você não faz do jeito que a sua mãe acha que deveria ser. Ou porque você tinha um padrão de limpeza, de organização tal, que não é o que você consegue. Mas a boa notícia é que existe funcionalidade que não precisa ser daquele jeito e que pode ser bom também.

Izabella: Sobre esse ponto de autocuidado, autonomia, eu queria lembrar que a gente tem o episódio 186 de 2021 que fala justamente sobre esse tema também. Fiz questão de ressaltar esse ponto do gênero, porque eu acho que isso, raça, classe, influenciam demais quando você tem contato com essa cobrança de tarefas domésticas.

Eu, por exemplo, eu cresci numa casa, eram os meus pais e dois irmãos. E aí, obviamente, começou mais a cobrança em cima de mim. Era sempre aquela coisa, eu fui ensinada a perceber que se você usar o copo e deixar na mesa, ele vai ficar lá. Ele não vai se teletransportar magicamente para a piam e ser lavado por fadas.

Então, eu fui ensinada, tipo: “Ah, terminou de comer? Então, pega o seu pratinho e leve para a pia. Em seguida, você lava o seu pratinho”. Enquanto isso, os homens, meninos, eram bem assim: “Ah, não, terminou de comer?” “Não, não, tá bom, vai, vai, vai”. E foi uma cobrança que começou mais em cima de mim.

Começou em cima de mim, na verdade, só depois que, com um pouco de insistência minha, que eu peguei, teve uma época, eu acho que era, sei lá, na pré-adolescência, que eu peguei e falei assim: “Vem cá, por que que eles não fazem nada?”. E: “Ah, não, porque aí já viu, né, menino, vai ter que ficar cobrando e tal”. Eu falei assim: “Mas não é justo, por que que só eu e você que vamos fazer? Porque, né, meu pai também podia ajudar. Somos cinco na casa, nós somos duas”. Aí, ela: “Não, então tá bom, vamos tentar”.

Daí, a primeira mini conquista que eu consegui foi fazer uma escala para lavar a louça. Só que aí, o que que acontecia? Meus irmãos eram muito espertos, né? Tipo, ah, terça-feira é o dia de um deles. Aí, deixava juntar a louça inteira, não sei o quê, aí, à noite, tinha aquela montanha na pia. Aí, eu já ficava assim, porque eu penso: “Se o seu dia é na terça, você lava na terça, você não lava na quarta de manhã”.

Aí, chegava perto da hora de dormir, a louça estava lá, e eu começava assim: “Vem cá, você não vai lavar a louça, não?”. “Porque aí, tá certo, você criou esse padrão, essa ideia de que as coisas precisam ser feitas nessa hora e tal, não necessariamente é assim”. Mas, sempre dava muita briga, porque o que acontece? Eu acho que eles usavam isso de estratégia, ele ia chegar à noite e falava assim: “Nossa, mas já são 11 horas, não vou poder lavar a louça, amanhã de manhã eu lavo”. Porque eles sabiam que minha mãe ia acordar antes, ela ia ver a louça suja e falava: “Ai, não, vou ter que lavar, tá muito sujo”.

Então, por muito tempo, como eles não tiveram essa cobrança, eles assimilaram essa estratégia: “Ah, eu não vou fazer, porque se eu não fizer, alguém vai lá e faz por mim”. Acaba que, tipo, quando não era esse o argumento, era muito assim: “Ah, mas você… Era só pedir que eu ajudo”, que é uma coisa que me revolta muito, e eu vejo muitas mulheres reclamando disso também, de homens que falam: “Ah, mas eu ajudo, ajudo o meu…”. Assim, querido, se você é um homem e está ouvindo o podcast, você mora na casa, não é ajuda, é obrigação sua também.

Gustavo: Eu tive um trabalho para me livrar desse termo aí. Eu sei que é minha obrigação, que eu estou apenas fazendo minha parte. Ao invés de falar: “Não, vamos limpar a casa, eu ajudo com isso”, não, não, essa palavra não. Você não está ajudando, é a sua casa, você mora ali.

Izabella: Tivemos um depoimento aqui do… (risos).

Marx: Tivemos uma confissão. 

Izabella: O usuário da palavra ajuda, se inspirem no exemplo.

Gustavo: Eu estou livre disso, gente. Não sei há quantos anos, mas eu estou livre disso.

Marx: Um dia de cada vez.

Ana Júlia: Eu queria fazer um recorte. Eu vim de um contexto, e acredito que a maioria das pessoas vieram de um contexto, em casas onde normalmente a mãe, a esposa, assume maior parte do serviço doméstico, enquanto o marido fica no sofá, assistindo TV, sem fazer nada. Em alguns momentos, eu imagino que, para minha mãe, isso era até confortável, porque ela tinha uma rigidez muito grande, tem até hoje, com as coisas dela, assim, com a limpeza, com comida, então é melhor que não interfira mesmo.

Quando eu fui morar com outra mulher, ficou meio assim, as duas queriam fazer tudo, e não queriam que a outra interferisse (risos). Eu me lembro muito bem, assim, no começo do nosso relacionamento, foi muito difícil as nossas brigas, inclusive, nem parecia uma briga de casal, parecia briga de diarista, assim.

(Risos)

Ana Júlia: Porque eu queria fazer tudo do meu jeito, dentro de casa, e queria que a Mari ficasse no sofá, só existindo como um mero marido da família tradicional brasileira. E a Mari queria que eu fizesse o mesmo.

Porque duas autistas, extremamente rígidas, e por exemplo, a Mari, ela é muito melhor lavando louça do que eu, e ela tem uma rigidez muito grande ao lavar louça, que é, ela precisa arear todas as vasilhas, sempre. As nossas panelas brilham mais do que os nossos espelhos, inclusive, já tiveram vasilhas estragadas de tanto serem areadas. 

Gustavo: Se eu fosse religioso, eu estaria fazendo o sinal da cruz agora. Que horror de arear vasilhas, eu troquei todas as panelas para não ter que arear mais.

Ana Júlia: Não, eu não consigo pegar num bombril por questões sensoriais, eu não dou conta. Só que eu insistia em fazer algumas funções domésticas, que eu não dou conta, que eu não gosto, porque era o meu papel. Porque eu sou a pessoa que tem que deixar a casa organizada.

E aí, a gente foi desconstruindo isso, até entender que, por exemplo, não, ela é melhor lavando louça, e eu sou muito melhor limpando a casa (risos). E aí, tudo certo, as coisas se equilibram. Mas a rigidez cognitiva nesse sentido foi muito difícil.

Izabella: Engraçado, né, como todo mundo, a gente acabou mencionando pontos de… Pegamos padrões que existiam na casa e colocamos: “Ah, não vai ter que ser assim para sempre”. E aí, pega um modelo que precisa ser feito desse jeito, e isso causa muito sofrimento, né? De achar que: “Ah, não, só eu vou ter que ser a responsável por isso”.

Tipo, tem outra pessoa literalmente morando com você, falando: “Não, eu também quero”. Aí, ao invés das duas pararem, tipo: “Não, vamos conversar, então a gente divide”. Não, cada uma: “Não. E eu tenho que ser a responsável”. Porque você fica muito nesse padrão, nesse perfeccionismo, mas enfim. 

Gustavo: Mas como que eu vou viver se a minha esposa lava a louça na ordem errada? Tem uma ordem a ser seguida, gente. 

Izabella: Eu sei que você tá brincando, mas eu já entrei numa briga dessa. Não com minha esposa, porque eu não tenho. Mas assim, para pra pensar comigo. Tem o negocinho de você escorrer a louça, e tem três buraquinhos. Você concorda comigo que é um pro garfo, um pra faca. E um pra colher?

Gustavo: Sim. Se tiver um quarto, é para as colheres maiores de panela.

Izabella: Não, então, pelo visto, eu sou a psicopata. Porque ninguém fazia isso lá em casa. E eu ficava assim, gente… 

Ana Júlia: Eu já entrei nessa briga também, mas…

Izabella: Nossa, eu ficava louca quando eu chegava nesse escorredor. Aí tava, tipo, tudo misturado, um com o outro. E aí, eu ficava assim: “Galera, são três. Três utensílios, um pra cada um”. Aí todo mundo ficava assim: “Cara, como você é chata” (risos).

Ana Júlia: Mas a minha briga era por causa da bucha. Porque se você começa lavando, por exemplo, uma panela gordurosa, depois você vai lá e lava um copo…

Marx: É isso aí, é um princípio básico do lavador de louça, né. Você nunca lava a panela de gordura primeiro.

Ana Júlia: E eu diria que isso não é uma questão de ser autista, gente. Isso é uma questão de ser higiênico! (risos).

Marx: Isso é uma questão de bom senso.

Gustavo: Mas é uma questão de… O ser autista é uma questão de quanto você está disposto a entrar nessa briga para poder ganhar. Sofra quem sofrer, você vai resolver esse problema.

Ana Júlia: Entrei nessa briga.

Izabela? Eu também, geralmente, entro. A questão é… Acho que você falou, tipo, o ponto de ser autista. Que você vai olhar, você vai querer ir lá e falar “Você está errado”.

Gustavo: Você não vai falar: “Está errado”. Você vai falar: “Por favor, pare. Está me machucando, eu não consigo ver”.

Izabella: Eu estou sentindo uma dor física. Quando você começa a louça por esta panela de macarrão com molho. Vai ficar tudo sujo!

Gustavo: Olha, gente, mas eu, felizmente, com esforço, um pouco de planejamento, comprei uma lava-louças. Ajuda em algumas discussões.

Ana Júlia: É meu sonho.

Gustavo: Recomendo. Não resolve toda a vida, mas ajuda. Adianta.

Ana Júlia: Mas a Mari já me falou que se a gente comprasse uma lava-louças ela jamais deixaria eu colocar as panelas lá, porque ela vai arear.

Izabella: (Risos)

Marx: É, tem certas brigas que são perdidas, a gente tem que aceitar (risos).

Gustavo: Tem certas panelas que não podem ir, mas um outro dia a gente conversa disso.

Izabella: Mas aí, enfim, pensando hoje em dia. Eu tenho muita dificuldade com tarefas domésticas, no geral. É um afazer que me desregula pra caramba. Eu tenho muitos pontos a serem trabalhados, que começa desde a função executiva, que é você tem que planejar as coisas, fazer tudo em etapas, priorizar áreas, que é, por exemplo: “Ah, não, vou limpar esse quarto aqui”.

Então, vamos dividir a casa por zonas. Na terça-feira eu limpo essa zona, na quarta eu limpo nessa e tal. Só que aí eu chego no quarto, aí eu vou limpar, hoje é dia de limpar esse canto do quarto. Aí eu entro no quarto e vejo um outro lugar, que é o sismo que está mais sujo que precisa, ou então eu abro por um acaso uma gaveta que está lá, acho uma coisa que está lá desde 2021, aí isso vira a coisa mais interessante do mundo. E aí eu fico perdida nisso pra sempre, e aí passaram-se três horas e eu não fiz nada do que eu tinha que fazer.

Gustavo: Sofro.

Ana Júlia: Você tem TDAH?

Izabella: Eu tenho TDAH (risos). Nessa parte você fica planejando, executando tarefas, isso é muito difícil pra mim. Manter a organização do espaço também é difícil, porque eu não sei de onde isso veio, deve ter vindo de algum lugar, eu tenho padrões muito rígidos do que deveria ser, tipo: “ah, eu vou dobrar a roupa”. Na hora de dobrar a roupa, eu tenho que fazer uma dobradura milimetricamente calculada lá, bonitinha. Se eu colocar na gaveta e ver que uma camiseta está um pouquinho maior que a outra, eu vou querer refazer.

Então, por exemplo, aí eu vou lá, lavo a roupa, aí depois você lava a roupa, você tem que dobrar a roupa e guardar a roupa. Aí, como consequência, eu lavo a roupa e a roupa vai lá, eu não vou guardando, porque eu sei que quando eu parar pra guardar, vai demorar. E assim, não é exagero retórico. A última vez que eu peguei umas roupas pra guardar, e: “ah, nossa, todas as suas roupas estavam fora do armário?”. Não, gente, eu fiquei quatro horas dobrando roupa. Então, é difícil.

Tem isso e essa gestão do tempo também é outra dificuldade pra mim, porque eu sou uma pessoa devagar no geral, em qualquer tipo de tarefa. E, por exemplo, quando eu estava aprendendo a cozinhar, daí minha mãe falava: “ah, não, agora você descasca essa batata aqui”. Ela perdia a paciência comigo, porque: “ah, por que? Você não estava conseguindo descascar?” Não, porque eu demorava muito tempo pra descascar uma batata. No tempo que eu estava lá, tipo, metade da batata, ela já teria descascado todas, elas já estariam lá na água e tal, fervendo, a receita tava lá na frente, eu tô lá.

Uns dois finais de semana pra trás, eu fui fazer uma mousse de limão, eu passei dez minutos espremendo quatro limões. Essa coisa de ser muito devagar é difícil pra mim, porque é muita coisa pra ser feita em casa, né? Não é só lavar a louça, é louça, é varrer, é limpar banheiro, arrumar quarto, é cozinhar. Como eu tenho dificuldade, eu sempre tô procurando dicas, vendo blogs, essas coisas, aí tem muita gente que fala assim: “ah, pega 15 minutos do seu dia e você vai conseguir limpar uma área” e etc. Não consigo, 15 minutos não é nada pra mim.

Eu não consigo render nesse tempo, então eu tenho muita dificuldade com gestão de tempo, eu tenho dificuldade com esses padrões de perfeccionismo que vieram, aí se eu não fizer bonitinho do jeito que eu acho que tem que ser feito, aí me dá um pânico no meio da tarefa, eu fico: “nada vai ficar bom do jeito que eu quero, então eu vou jogar tudo no lixo, depois me jogar no lixo, porque nada vai dar certo nunca na minha vida”.

(Risos)

Izabella: E outra coisa que me pega muito é o sensorial. Porque o produto de limpeza, nossa, é tudo um horror, é o cheiro, é a textura, é tudo, eu não consigo… A única coisa que eu consigo fazer sem luva é varrer, e sei lá, tirar poeira. Se tiver que pegar uma coisinha que seja louça, pra lavar sem luva é uma tortura. A gente tava lanchando antes de gravar o episódio, aí eu tive que lavar um prato, eu tô com vontade de cortar a minha mão fora até agora.

Marx: Lavar banheiro, então, deve ser um inferno, né?

Izabella: Nossa, o banheiro é luva e máscara, e eu ainda faço isso, tipo… “Argh, pelo amor de Deus, nunca mais vou querer lavar”.

Ana Júlia: Eu comprei um negócio incrível para lavar banheiro (Risos). Que é tipo uma escovinha elétrica, que tem várias ponteiras diferentes.

Izabella: E funciona? Eu já vi, tipo, um TikTok da vida.

Ana Júlia: É incrível, funciona, só que eu caí num vídeo de IA, que falava que você podia enfiar o negócio dentro da água, e não podia, porque obviamente é um negócio elétrico. E aí eu enfiei ele dentro da água, ele parou de funcionar, mas ele era ótimo enquanto ele funcionava.

Izabella: Descanse em paz, escova elétrica.

Marx: Ainda bem que você não tomou um choque, e não ia estar aqui pra contar a história.

Ana Júlia: (Risos)

Izabella: E pra vocês, o que o autismo especificamente impacta na hora de fazer tarefas domésticas?

Marx: Nossa, impacta em tudo, né? Impacta a questão sensorial, como você falou. Porque no meu caso, principalmente, alguns produtos de limpeza têm um cheiro que me incomoda demais, que me dá muita sobrecarga sensorial. Então, não é qualquer produto de limpeza que eu uso, eu tento usar os mais neutros possíveis, um desinfetante mais lavanda, mais suave, assim.

E a questão de eu não dar conta de fazer as coisas do jeito que eu gostaria que ficasse. Porque você pegou muito a questão do perfeccionismo, e eu fiquei pensando o quanto que eu, muitas vezes, sofri por querer fazer as coisas ficarem de um jeito, não conseguir. E aquela crença de falar: “ah, se eu pagar alguém para fazer isso aqui, é porque eu estou assinando meu atestado de fracasso como um dono de casa, né? Como um limpador de casa”.

Só que com o tempo, eu fui percebendo que, ao fazer isso, contratar uma diarista pra dar uma faxina, principalmente com a gestação dos gêmeos, ficou muito difícil eu sozinho dar faxina em casa, né? O benefício que ficava ao ter as coisas limpas, mesmo que não fui eu que fiz, começou a me convencer. Eu comecei a achar bom, e falei: “hum, então isso aqui vale a pena, mesmo que não ficou 100% do jeito que eu achava que tinha que ficar, mas ficou melhor do que estava, porque do jeito que estava, estava me desregulando”.

Então, a bagunça me desregula, sujeira em excesso me desregula, a sensação de que precisa ser limpo e ninguém está fazendo, e eu não estou fazendo, me deixa maluco. A sensação de estar numa casa bagunçada, numa casa suja, com coisas esparramadas, com o chão encardido, me sufoca muito.

Gustavo: Eu tenho um nível de incompetência absurdo com química. Eu sou um péssimo cozinheiro, faço o mínimo… Eu sei fazer um omelete, e é isso, eu sei fazer a gracinha de virar o omelete direto na panela, e esse é meu auge. Quanto de açúcar que põe, quanto de sal põe, tudo eu sou ruim.

Marx: Isso é matemática, não química (risos).

Izabella: Aí depende, é um problema que eu tive muitas vezes lá em casa.

Marx: Isso é dimensionamento. 

Izabella: A minha mãe é a rainha do olhômetro. “Não, mãe, quanto que põe de tal ingrediente, tal receita?”. “Ah, eu não sei, eu vou no olhômetro”. “Minha senhora, o que é um olhômetro? Eu quero colheres, eu quero gramas”. Então, assim, esse negócio de matemática.

Marx: Matemática.

Gustavo: Tudo bem, eu não sei nenhuma das duas. Mas a questão de qual produto eu vou usar pra limpar o chão, também não sei. Metade das vezes que me deixam por conta própria, eu erro. De verdade.

Então, assim, eu não tenho habilidade pra poder cozinhar, ainda bem que eu sei lavar louça. E eu sou muito ruim com a questão química. “Gustavo, esfrega essa privada”. “Gustavo, esfrega a parede do banheiro, tira pelo do ralo”. Tudo eu faço numa boa. Mas a minha esposa, ela vai montar o balde pra mim. O balde do qual eu vou passar um pano. “Ah, tem que passar um pano mais molhado, um pano mais…”. Beleza, mas qual é o produto e a proporção de cada produto que vai nesse balde?

Ana Júlia: Engraçado, eu me regulo limpando a casa.

Marx: Misericórdia (risos).

Ana Júlia: Eu adoro limpar casa, lavar louça. E uma coisa que me desregulava, por exemplo, era a Mari não me deixar fazer isso meia noite, uma hora da manhã.

Marx: É meio disfuncional isso aí, né?

Ana Júlia: Pois é, só que é a hora que me dá aquela energia e tal. E eu falo: “Eu quero arrumar uma casa, eu quero lavar uma louça”. A Mari não me deixava fazer isso. Inclusive, foi motivo de muitas brigas. Eu falava: “Você tá me podando!”. Enfim, mas…

Gustavo: Ela só estava evitando uma multa do síndico.

Ana Júlia: Exatamente, eu entendi que era disfuncional. Me organizei pra limpar casa em momentos corretos. Só que… E outra questão que vocês falaram sobre cheiros e coisas de produtos de limpeza. Eu tenho busca sensorial. Então, eu adoro tudo que é cheiroso e se eu pudesse, eu misturava uns 50 cheiros na minha casa. E a Mari, ela se sobrecarrega com cheiros (risos). E aí, quando eu limpo casa… Eu aproveito pra limpar a casa quando ela tá trabalhando, ela tá fora. Aí ela volta pra casa e fala: “Ana Júlia, o que você fez aqui?”

Gustavo: (Risos)

Ana Júlia: E aí, eu usei um desinfetante novo, que ela não conhecia. Eu bati spray, eu acendi vela aromática.

Marx: Isso aí dá divórcio, hein. Deus me livre! (risos).

Ana Julia: E aí, ela aprendeu só a rir e esperar o cheiro passar. Porque eu gosto daquele cheiro de casa limpa. E quanto mais cheiros, melhor. 

Izabella: É importante falar essas coisas, porque… Apesar de ser um aspecto prático da vida, ele é atravessado por questões emocionais, né. Não é só: “ah, você é um robô, então vai lá e limpe o chão e faça essas coisas, porque isso deve ser feito”. Dependendo das suas experiências de vida, de como você tá, isso vai ser afetado, não tem como.

Então, é legal fazer esses apontamentos, né. E ficar pensando, porque a gente se cobra muito também. Às vezes, tem essa noção de que a casa tem que estar linda, arrumada, limpa. E não necessariamente precisa estar nesse padrão inalcançável, porque ele é inalcançável. Então, é melhor você conseguir arrumar as coisas do jeito que funcione pra ti, do que ficar pensando: “não, nunca vai estar bom do jeito que…”. Enfim, né. 

Gustavo: Às vezes, é melhor você aceitar. Nunca vai ser tão bom quanto seus pais limpavam. “Tá bom, vou fazer do meu jeito”. 

Izabella: Quando eu era criança, começou essa de “ah, não, vamos ensinar a cuidar da casa”. Aí, a primeira coisa foi arrumar a cama. Aí, eu falei assim: “ah, quando você acorda, você vai arrumar a cama”. Aí, falava assim: “por que eu vou arrumar esta cama, se hoje à noite eu estarei deitada nela novamente?”. Não faz sentido a cabeça da pequena Izabella.

Gustavo: A do adulto Gustavo também.

Izabella: É? (risos). Então, eu acho que se você ficar muito nessa de: “ah, nunca vai ficar bom”, eu acho perigoso você chegar de uma maneira torta nessa: “Ah, se nunca vai ficar bom, eu nunca vou começar”. E é isso. Aí, quando você vê, você tá morando num lixão.

Ana Júlia: Começou a aparecer muito pra mim, porque o algoritmo, ele, né, ele pega a gente assim, às vezes. Começou a aparecer muito pra mim alguns vídeos falando: “ah, se você faz isso aqui dessa forma na sua casa, você é um adulto disfuncional”. Vocês já viram esses vídeos?

Marx: Nossa, o Instagram é uma terra do capeta nesse sentido, assim, né.

Ana Júlia: E aí, muitas coisas assim, que eu me pego fazendo ou não conseguindo fazer dentro de casa, pequenos detalhes assim, tipo: “ah, tomei o café da manhã e deixei o prato em cima da mesa”. Mas por que que às vezes eu faço isso? Porque, tipo assim, eu tô tomando café, aí eu lembrei de um negócio, eu vou lá fazer um negócio, aí depois apareceu outra coisa, eu fui fazer outra coisa, quando eu vi o prato, foi a última coisa que eu tô lembrando.

Começou a aparecer esses vídeos pra mim, tipo: “você é um adulto disfuncional”. E eu falei: “caraca, eu sou uma adulta disfuncional”. E aí, esses vídeos, eles me pegam, porque eles me mostram que eu não dou conta. E aí, eu tive que levar para terapia e trabalhar que, de fato, eu tenho algumas limitações, que às vezes eu esqueço, só que eu tenho a minha forma de fazer as coisas na minha casa, do meu jeito. E que isso, por exemplo, não me torna uma incompetente.

Marx: E essa coisa do adulto disfuncional, ela é uma questão que tem que ser discutida à luz da deficiência do autismo, né?

Gustavo: De perto, ninguém é normal. Essa pessoa que tá aí, se coloca: “não, eu sou um adulto funcional, eu acerto isso e isso”. Ela tá propositalmente ocultando todas as partes onde ela não é funcional. E assim, neurotípico, neurodivergente, ela tá escondendo a parte onde ela é ruim pra poder se colocar como muito superior, como muito correta. Não confiem.

Marx: E fora que no Instagram existe muito essa cultura da positividade tóxica, né? Da galera ficar querendo fazer like em cima de ficar dando lição de moral nos outros, de ficar tentando mostrar uma vida muito mais perfeita do que a realidade mostra.

No mundo real, as pessoas, elas têm coisas que elas têm facilidade, tem coisas que elas não têm. E para o autista, isso é pior ainda, porque como é que você vai falar de funcionalidade de uma pessoa que já é naturalmente deficitária em função de algumas coisas? Não faz nem sentido, né?

Se eu tenho uma disfunção executiva que vai fazer eu ser mais lento pra fazer algumas coisas, eu ter menos facilidade de fazer algumas coisas, eu ter menos motivação para fazer algumas coisas. A minha funcionalidade, ela vai ser menor mesmo. Agora, o ideal é eu conseguir fazer de forma que aquela coisa não se torne um prejuízo na minha vida que atrapalha a minha vida.

Izabella: Rede social, a gente tem que pensar que é tudo um recorte, né? Às vezes você tá acompanhando aquela blogueira que fala sobre organização, e aí toda vez que aparece o vídeo você fala assim: “Nossa, a casa dela é impecável, né? Olha essa sala, que coisa linda”. Às vezes a sala é o único cômodo arrumado da casa dela.

Marx: (Risos)

Izabella: Aí você tá lá se sentindo a pior pessoa do mundo porque, nossa, ela tem um monte de coisa pra fazer da vida e não sei o quê, e a sala dela, uau, parece a casa da Barbie. Eu tô aqui, nossa, eu tô horrível. E rede social é recorte, né?

Mas acaba que a gente assiste essas coisas e fica se cobrando, né? Que nem a Ana Júlia mencionou. Fica parecendo: “Ah, porque se você não faz X, Y e Z todos os dias na sua casa, quer dizer que você não merece viver em sociedade, você não é um adulto funcional e etc”. Eu sou o tipo de pessoa que já começa assim: “O que é ser funcional? Funcional pra quem? Segundo qual padrão?”.

Que nós todos temos dificuldades em diferentes campos e diferentes pontos, nós já percebemos, né? Mas quais são as técnicas que vocês usam para lidar com isso? Ou tem algum tipo de tecnologia que ajude? Tipo, um robô aspirador, o Gustavo mencionou a máquina de lavar louça. Como vocês lidam com isso no dia a dia de vocês?

Marx: Eu tenho lançado mão de contratar uma pessoa pra fazer a faxina maior, né? Lançar mãos de algumas tecnologias é importante. Eu ainda tenho muito preconceito com lava-louça porque eu sou muito chato com louça engordurada, com louça mal lavada. Louça pra mim é um negócio meio ritualístico, né? Eu acho que a louça é a única tarefa doméstica que tem a função que a limpeza tem pra você, na minha vida.

Gustavo: Pra mim também.

Marx: De ser uma coisa que eu faço e que eu fico meio que organizando os pensamentos ali quando eu tô fazendo.

Gustavo: Eu compactuo com a técnica do Marx de chamar alguém pra ir em casa a cada 15 dias, a cada três semanas, pra poder fazer o grosso. E aí fica mais fácil a gente manter organizado ao longo do tempo. A lava-louça também. E eu tento separar alguns horários. 

Ana Júlia: Eu, no momento em que eu tiver condições, eu vou colocar todos os robôs, todas as máquinas possíveis que eu puder dentro da minha casa pra fazer todos os serviços. Inclusive, pra mim, TOP piores serviços são tirar a roupa do varal e dobrar a roupa. Então, por favor, alguém cria um robô que faça isso o mais urgente possível.

Izabella: Eu espero que você tenha aprendido alguma coisa útil nesse episódio. A gente abordou as tarefas domésticas sobre diferentes aspectos e é isso. A gente se vê na próxima.

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Ficha técnica do episódio

Direção geral: Tiago Abreu | Direção de vídeo: Nicolas Melo | Assistente de estúdio: Marcelo Oliveira | Fotografia: Ana Júlia Arantes | Capa: Nicolas Melo | Pauta: Tiago Abreu e Izabella Pavetits | Edição de áudio e vídeo: Adriano Quadros | Transcrição: Michael Ulian