Introvertendo 280 – Luca Nolasco

Ele foi um dos fundadores do Introvertendo quando ainda era menor de idade, marcou história com sua voz grave na vinheta, pediu pra sair do projeto várias vezes, mas seguiu até o final. Neste episódio, Brendaly Januário e João Victor Ramos sabatinam Luca Nolasco para saber tudo sobre a sua trajetória dentro e fora do Introvertendo, com direito a gravações exclusivas e muitas curiosidades.

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Transcrição do episódio

Brendaly: Olá, você que está ouvindo o podcast Introvertendo, episódio especial. Eu sou a Brendaly, autista, doutoranda em Antropologia Social.

João Victor: Olá a todos, sou João Victor Ramos, autista, integrante da nova formação do Introvertendo, com um episódio especialíssimo. Pra você, público rígido cognitivamente, ainda mais se for TEA como nós, que está cansado desses caras chatos compondo a formação nova, eu tenho uma excelente notícia a lhes fornecer. Trouxe um da velha guarda, o Tiago trouxe, na verdade, a gente só tá acompanhando. Podemos apresentar, Brendaly?

Brendaly: Podemos, podemos.

João Victor: Luca Nolasco, senhoras e senhores!

Brendaly: É um prazer, Luca (risos).

Luca: Prazer é todo meu.

Brendaly: Bom, acho que esse episódio não vai ser uma entrevista, é quase um pedido de conselho aqui, porque… (risos).

João Victor: A gente vai implorar muito, na verdade.

Brendaly: Todo respeito à formação antiga.

João Victor: Com toda admiração também, vale destacar.

Luca: Tá parecendo um pedido de socorro, né?

João Victor: Exato! Exato!

Brendaly: Quase isso!

(Risos)

João Victor: Pra que mascarar, né, Brendaly? Pra que mascarar? 

Brendaly: Pra que? A gente não mascara.

João Victor: Pra que falar… Se você não quer me ouvir… Tá, chega (risos).

Luca: Olá, eu sou o Luca Nolasco, ex-Introvertendo, estudante de medicina… e atualmente cansado.

(Risos)

João Victor: Lamento informar, Luca. Uma vez Introvertendo, sempre Introvertendo.

(Risos)

João Victor: Sempre! Que nem Power Rangers, filho!

(Risos)

Brendaly: Você que está assistindo ao podcast Introvertendo, quero aproveitar pra te fazer um convite, nos siga nas nossas redes sociais. O nosso site é introvertendo.com.br e você pode nos encontrar nas demais redes pelo @introvertendo. Introvertendo, um podcast feito por autistas com produção do NAIA Autismo.

[Vinheta de abertura]

Brendaly: Então, que rufem os tambores, bem-vindo ao seu arquivo confidencial, Luca!

(Risos)

João Victor: Ai, meu Deus!

Brendaly: Então, uma das únicas coisas que ficou do Introvertendo antigo foi a sua voz ali na introdução. Você lembra quando você gravou Introvertendo, um podcast onde autistas conversam?

João Victor: Introvertendo, um podcast onde autistas conversam.

Luca: É, um contexto pra quando eu gravei isso, eu tava no quarto do meu irmão com o Tiago, ele com o computador ligado, o microfone segurando no meu rosto, me mantendo contra a parede tal qual um refém. Enquanto não saísse a locução da maneira que o Tiago queria, eu não ia sair daquele quarto. Talvez não vivo, inclusive. Mas foi nesse contexto que saiu a voz (risos).

Brendaly: Foi na pressão mesmo.

Luca: Foi, foi na pressão.

João Victor: Vemos aqui claramente um integrante com transtorno de estresse pós-traumático.

(Risos)

João Victor: Por culpa do nosso queridíssimo fundador, faz parte, gente, causos do cotidiano.

Brendaly: É, não é muito diferente hoje não, né? (risos)

Luca: Transtorno de estresse pós-Tiago.

Brendaly: É, então é comum isso.

João Victor: Começa com T, né?

Brendaly: Porque a gente já tá passando por isso, assim. Vamos, é aqui, agora (risos). Tiago, pelo amor de Deus, vamos agora (risos).

João Victor: Rápido. Anda, João Victor.

Luca: Não, mas foi, foi, foi um período muito bom. Eu acredito que vocês vão ver que trabalhar com uma pessoa que é eficiente na gestão, eu acredito que é muito bom.

Brendaly: E como é que foi esse… encontro de vocês, assim, do podcast antigo e essa formação e fundação do Introvertendo?

Luca: O encontro, eu já conhecia o Tiago de internet, de antes, éramos amigos, e ele me apresentou aos colegas do grupo de apoio aos autistas da UFG, da Universidade Federal de Goiás. Foi lá que eu conheci pessoas como o Michael, como o Otávio, diversos outros integrantes do Introvertendo inicial que permaneceram ao longo do programa.

O grupo, obviamente, não tinha um propósito de “vamos fazer um podcast aqui”, éramos pessoas discutindo nossas dificuldades e às vezes limitações, mas… acabou que vimos que as nossas conversas tendiam a ser um pouco engraçadas, um pouco inapropriadas, um pouco escatológicas, e surgiu a vontade de criar um programa para registrar realmente o convívio de pessoas autistas, porque isso era algo inédito no Brasil até o momento. 

João Victor: Sem dúvida, e isso me faz parar para perguntar o seguinte, quando foi que você, você, Luca, em particular, chegou à conclusão de tipo “vou fazer parte disso” quando a ideia foi jogada?

Luca: Do primeiro segundo, na verdade, porque a ideia surgiu enquanto estávamos numa sessão e basicamente todos que estavam ali falaram “vamos, vamos sim, qual é o nome, qual é o nome”, ficaram rodando, rodando até chegar no nome Introvertendo, mas desde o primeiro segundo eu estava ali… eu sou uma pessoa de convívio muito difícil e as pessoas do grupo que conviveram comigo sabem, eu não tenho uma constância muito grande, então as pessoas tinham que me segurar na coleira para levar para gravar, mas foi acontecendo e me mantive até o fim. 

João Victor: Então dá para dizer que você é um dos pais dessa coisa toda, dos grandes culpados disso tudo, além do Tiago Abreu.

Luca: Eu diria que eu sou um tio. 

(Risos)

Brendaly: Bom, e um passarinho me contou, vulgo…

João Victor: Um anjinho azul.

Brendaly: …Tiago Abreu, que você pediu para sair várias vezes do Introvertendo, como é que foi isso? (risos).

Luca: Toda semana! (risos).

João Victor: Você elaborou uma lista, tipo assim, quantas vezes eu pedi para o Tiago “Tiago, posso sair, posso me despedir?”

Brendaly: Vamos perguntar para o Tiago se ele tem uma lista de quantas vezes…

(Risos)

João Victor: Eu me pergunto também se ele elaborou argumentos, tipo um roteiro assim, tá ligado? Não, esse daqui o Tiago não vai conseguir me contrapor de jeito nenhum.

Luca: Hoje eu percebo que essa minha questão de querer sair toda hora, além de eu ser um tanto tímido, não gosto tanto de ser protagonista, de estar em cima de alguém perguntando, mas eu percebo que com o diagnóstico de transtorno bipolar, na época não tratado, eu tinha episódios depressivos muito intensos, onde eu… não conseguia manter essa constância mesmo de estar presente. Eu tinha que me deslocar para chegar na universidade para gravar inicialmente, e isso era um esforço realmente grande.

Por isso que eu sou muito feliz pelo convívio que eu tive com os colegas, porque eles muitas das vezes se desdobraram para tentar abarcar essa minha limitação que era presente. Quando eu estava animado eu era muito presente, mas nem sempre era assim, nem sempre queria participar. 

(Risos)

João Victor: Você crê que essa limitação em alguma medida foi empurrada, tipo assim, eu consegui ultrapassar determinado limite uma ou mais de uma vez através do convívio com os demais integrantes da formação anterior?

Luca: Jamais, eu queria jogar tudo pra cima constantemente, foi realmente tipo, o Tiago falava “não, você vai gravar assim, eu vou na sua casa e a gente vai gravar”, e a gente gravava. Isso é algo que só foi, eu só fui ter mais autonomia depois de começar a fazer tratamentos psiquiátricos mais constantes e mais adequados, mas inicialmente foi na coleira mesmo que eu tive que participar.

Brendaly: E em relação a essa timidez, assim, como que foi ultrapassar isso? Isso aqui é quase um pedido de conselho… (risos).

João Victor: Não precisa dizer quase, Brendaly!

Brendaly: Foi, foi… um conselho, como que foi ultrapassar essa timidez, em superar isso?

Luca: A minha abordagem é que quando eu preciso apresentar algo, seja na faculdade, seja um programa, seja em palestra, eu tento abstrair o máximo possível de… É quase, eu não tô aqui, eu só vou falar o que eu preciso falar, não me importo com o que tá acontecendo, não me importo com nada em volta. Assim que acaba, eu tô exausto, eu não consigo pensar em mais nada, mas eu basicamente ignoro toda a timidez e todo o constrangimento pra fazer o que eu preciso fazer e saio depois e fico… fico na minha.

João Victor: Seria como um estado de alerta vermelho?

Luca: Não. É talvez o contrário, é um estado zen, eu não me importo mais, eu desligo completamente, não vou olhar pro rosto… Obviamente, quando eu tô apresentando, eu olho pro rosto das pessoas ou algo assim, mas… quando você tá apresentando uma palestra, você não vai se atentar a cada uma das pessoas, o que elas estão pensando, eu desligo. Eu estou falando o que eu preciso falar, eu estou dialogando com os meus colegas da palestra, mas eu não vou me importar com o que estão pensando.

João Victor: Entendi.

Luca: Depois eu penso nisso.

João Victor: É porque você falou de uma forma como se… estar ali palestrando ou exercendo alguma outra atividade desse tipo, lhe consumisse tanta energia que tipo assim, não, ele deve realmente virar ali e engatilhar alguma coisa. Por isso que eu fiz essa pergunta. E digo mais… em relação ao Luca, antes de começar esse acompanhamento, não acha que essa timidez foi um pouco superada ou pelo menos diminuída?

Luca: Sim, eu acho, muito inclusive. O convívio que eu tinha era muito limitado à escola, colegas, o Introvertendo e todos os projetos que são adjacentes a ele, trouxeram oportunidade de eu conhecer pessoas, uma gama que eu nunca tive oportunidade antes. Essa exposição me ajudou muito a entender melhor como funciona a minha timidez, mas além disso, superar ela.

Brendaly: Então melhora, a timidez melhora (risos).

Luca: Melhora, eu garanto pra você que melhora.

Brendaly: Ai que bom. 

Luca: O hábito vai ajudar.

João Victor: O autoconhecimento adquirido no geral, né? Não necessariamente só a timidez, você acha que enquanto indivíduo, na sua completude, você se conhece mais graças ao Introvertendo?

Luca: Eu diria que quanto mais tempo passa, menos eu me conheço, mas isso é talvez só uma reflexão sofística tosca minha. O que eu considero que o Introvertendo me trouxe foi uma possibilidade de entender os outros, porque eu sou condicionado a escutar enquanto participante ou enquanto entrevistador, escutar a perspectiva de todas as pessoas que estão ali. Eu aprendi a conhecer melhor como são as pessoas. Eu mesmo nunca vou me entender, mas as outras pessoas eu considero que o Introvertendo me ajudou muito a entender. 

Brendaly: Produção, momento agora talvez indelicado, não sei como você vai reagir (risos). Vamos passar um vídeo aqui do Luca.

[Vídeo 1 mostrado no estúdio]

Tiago: Bora.

Marcos: A arquitetura daqui não é tão ruim. Eu não odeio esse lugar.

Luca: Mas quando foi feito isso aqui, foi inaugurado, o Oscar Niemeyer não veio, isso aqui era uma homenagem a ele.

Marcos: Mas porque ele é velho.

Luca: Não, ele não veio porque achou mal feito.

Marcos: Ah, ele achou mal feito? Ficou.

Luca: Tinham feito meio de presente pra ele e ele falou: “não, esses cálculos estão errados” e eu não vou não.

Marcos: Eu não sabia disso. Eu não sou muito fã da arquitetura modernista, então se você vier com modernismo é perigoso eu voar na sua cara. Mas esse prédio aqui não é tão ruim. Eu acho que é o material. Eu acho que ele devia querer ter feito tudo de concretão, cinza, aí ele teria ficado feliz.

Luca: Fazia tudo quadrado.

Marcos: Exatamente, se tivesse tudo quadrado, concretão cinza…

Luca: Cara, pior que uma das coisas que eu mais gosto são os prédios de Brasília. Eu adoro aquele lugar.

Marcos: É o mal gosto, né? A gente faz o que, né?

(Transição)

Brendaly: Qual foi o ano desse vídeo? Pode contextualizar para a gente?

Luca: Esse vídeo, se não me engano, foi em 2018, mas pode ter sido em 2019. Não sou muito bom com anos. Mas uma coisa que eu preciso atentar, eu acho muito importante, é que aí era uma pessoa que concluiu ensino médio e no momento não fazia ensino superior. Uma pessoa que fazia física médica, uma pessoa que fazia medicina e uma pessoa que fazia jornalismo, todos discutindo arquitetura sem nenhum conhecimento.

(Risos)

João Victor: Uau, maravilhoso. O achismo ali gritando!

Luca: Sim, eu espalhando várias fake news, inclusive. 

(Risos)

João Victor: Tudo bem.

Brendaly: Então, tocando nesse assunto que você falou da faculdade, na época que você estava no Introvertendo ali, você estava na UFG. Como é que foi, assim, o Introvertendo junto com a faculdade e isso mudou alguma perspectiva em relação à faculdade que você estava no momento? 

Luca: Uma coisa que eu vejo é que no microcosmo da faculdade, a percepção de pessoas autistas era muito caricata pelo público. Então, eu era o único aluno autista da minha turma e a percepção que eles tinham antes de me conhecer era algo muito estereotipado, algo que não necessariamente se caracterizaria a todo espectro autista.

Eu vejo que o Introvertendo, por ter saído de um núcleo da UFG, conseguiu trazer uma visão muito mais cosmopolita, uma visão muito mais ampla sobre todas as características que compõem o transtorno do espectro autista. E eu vejo que fazer parte disso, enquanto eu estava iniciando uma graduação, eu era muito novo, então quase como um…

Eu acho péssimo trazer isso na idade que eu tinha, eu era muito jovem, mas eu era um porta-voz do Introvertendo dentro da faculdade. As pessoas iam atrás, as pessoas ouviam. Eu me sentia muito feliz em ver que o projeto conseguia conscientizar, conseguia trazer conhecimento para toda a gama de estudantes da UFG que tinha acesso.

João Victor: Maravilhoso, cara. Então, tio Luca, sua benção…

Luca: Tem a minha benção.

João Victor: Abençoa a Brendaly também, tadinha.

Luca: Ela não me chamou de tio! (risos)

Brendaly: Tio Luca, desculpa. A sua benção! 

(Risos)

João Victor: Pior que ele tem um ótimo argumento. Pior que ele tem um ótimo argumento.

Brendaly: E atualmente você está fazendo medicina na faculdade do Acre. E como é que está sendo isso? Como é que está sendo morar em Rio Branco?

Luca: Cara, a experiência de morar sozinho, apesar de eu achar que é muito necessária para a vida humana, é aterrorizante (risos).

Brendaly: Sério?

Morar sozinho, do outro lado do país, sem ter ninguém que você conhece por perto, é estarrecedor. Mas assim, olhando por lados positivos, eu estou fazendo um curso que eu gosto muito. Eu vejo colegas que eu aprecio demais o convívio com eles. E passo o dia inteiro estudando com esses colegas. Então, ter um convívio bom para mim é ótimo. Mas é uma experiência tão mista de agridoce, de terror e felicidade, que eu não conseguiria dizer com um aditivo só como é. Mas tentando, é legal (risos).

João Victor: Que maravilha. Que maravilha. Como foi para você a sua vida pós extrovertendo?

Luca: A minha vida pós Introvertendo ou a minha vida extrovertendo, eu preciso te dizer que foi muito caótica. Eu acredito que ter aquele convívio quase que semanal com o Tiago, com os outros integrantes, com os entrevistados, apesar de eu sempre estar muito agitado, como eu havia dito antes, ter um convívio periódico é algo que me ancorava. Uma rotina muito saudável.

A minha vida pós fim do podcast Introvertendo inicial… foi caótica. Eu tive que me mudar, eu tive que conhecer gente. Todos os meus relacionamentos interpessoais foram muito modificados. Não por conta da ausência do podcast, mas eu acredito que não ter essa presença constante na minha vida foi algo que contribuiu para a confusão que apresentou para mim.

João Victor: Foi uma luta contra a sua própria rigidez? Uma das maiores dos últimos anos?

Luca: Foi. Se você pensar que em um momento eu estava na minha casa, relativamente confortável, tudo eu conheço. E no outro momento eu tinha que correr atrás de casa, de móveis, de gente, de tudo. Eu tive que lutar muito contra a rigidez de dar a mão e falar “Oi, prazer, eu sou o Luca”. Terrível, mas eu tive que aprender a falar isso.

João Victor: Eu imagino, mas você chegou a se preparar previamente no seu interior? Tipo, não, vai acontecer uma hora ou outra, o episódio vai ao ar, e a partir daí vida nova. Como foi esse combate? Percebe? Como você se flexibilizou? Quero detalhes.

Luca: A ideia do último episódio era algo que nós havíamos acordado já. Vimos que naquele contexto seria coerente falarmos “Ok, encerra aqui o nosso ciclo”. Como tudo que às vezes a gente vê que é importante para a nossa vida, a gente talvez não consegue… a gente entende que pode ter um fim, mas nunca consegue conceber ele de fato, até chegar. O momento de gravar, pela última vez, algo, é muito marcante, mas também muito esquisito.

Eu não consigo caracterizar muito bem, mas é exatamente o que eu havia dito antes. Você sabe que algo vai acabar, tudo, eventualmente acaba. Mas você chegar num momento de falar “OK, essa é a última vez que eu tô fazendo esse ritual, é a última vez que eu tô ligando o microfone, que eu estou fazendo isso”, é uma sensação única, até porque você não tem múltiplas últimas vezes das coisas.

Brendaly: Bom, voltando à medicina, você tá ali frequentando a faculdade de medicina sendo autista. E uma pergunta um pouquinho polêmica, o que você acha de autistas que fazem faculdade de medicina e divulgam Tigrinho? (risos). Foi uma pergunta bem específica.

João Victor: No seu tempo, meu querido. Eu sei que você tá velho…

Brendaly: Ninguém vai te cancelar.

João Victor: Brendaly, não prometa o que você não pode cumprir.

Brendaly: Isso é verdade.

Luca: Minha resposta talvez vai surpreender muitos, porque eu sou uma pessoa muito flexível. Dependendo da quantidade de dinheiro, eu corto qualquer vínculo moral que eu tenho com a sociedade. Eu divulgaria muita coisa, mas… Falando um pouquinho mais sério agora, a vida enquanto pessoal autista na medicina não foi tão difícil quanto eu imagino que já foi pra muitos colegas antes. Hoje em dia, o conhecimento sobre o tema é muito maior, a aceitação dos colegas é muito maior.

De qualquer maneira, sim, eu vejo que existe uma tendência de estudantes de medicina de ter perfis de redes sociais que são muito públicos, muito publicizados… Particularmente, eu não gosto. Eu vejo que enquanto estudante, eu não conheço. Eu não sou um detentor de conhecimento científico o suficiente pra conseguir afirmar algo pra alguém na rede social e a pessoa seguir isso com confiança. Não posso. E o mesmo, eu acredito, que se dá a pessoas autistas ou não que divulgam programas predatórios, mercadologicamente. Mas essa tendência de perfis de estudantes de medicina que são instagramers, que são… é… fazendo publis, eu não gosto. Não consigo ser assim (risos).

Brendaly: E assim, em relação… como que o TEA é visto dentro da faculdade de medicina? Eu queria que você trouxesse esse olhar, sendo uma pessoa autista.

Luca: Eu não sou a única pessoa autista da faculdade de medicina do Acre, da Universidade Federal do Acre. Tenho alguns veteranos que possuem o diagnóstico, o laudo de TEA. E eu havia comentado um pouquinho antes, mas a aceitação disso, eu posso dizer, só no microcosmo da Universidade Federal do Acre. A aceitação disso foi tão ampla, tanto entre a coordenação, quanto entre os colegas. Existe a tradição de trotes e de recepção de calouros, onde eu veementemente disse “não vou participar, eu não gosto, porque eu acho uma exposição que não me é confortável”. Os colegas falam “perfeito, não precisa participar, mas você vai ser incluído”. Porque existia um receio de que eu não participasse porque eu não quero, mas que isso trouxesse a impressão pra mim ou pros outros que eu estava sendo excluído exatamente pelo transtorno.

Então, o que fizeram, e eu achei isso muito legal, é que toda a parte vexatória de um trote, quebrar ovo, “vamos andar no Sol”. Não participei de nada disso. Todas as festas eu era convocado, não era convidado, porque eles queriam minha presença. Eles realmente fizeram muita questão de me trazer por perto, de me mostrar ali. Não como uma exposição de “olha, temos esse colega”, mas é porque eu era bem-vindo. E eu vejo que essa percepção nas universidades federais, ultimamente, tem sido mais ampla. Óbvio, temos casos de muito preconceito entre alunos autistas, com alunos autistas nas universidades federais, mas eu vejo que tem crescido a aceitação ampla. 

João Victor: Pois bem, queridos amigos, vocês que acompanham o Introvertendo nesse exato momento, que foto bonita. Eu tive que fazer essa quebra. Mas vocês não terão essa mesma visão que eu por muito tempo, pois rodaremos outro vídeo surpresa para o nosso querido tio.

[Vídeo 2 mostrado no estúdio]

Luca: Eu vou falar uma intimidade minha, perdão.

Carol: Fala aí, Lu.

Luca: Eu não recebo nenhum nude. Tipo, se eu recebo de alguém eu simplesmente deleto.

Tiago: Nossa, a Madre Teresa de Calcutá aí (risos).

Luca: Exatamente.

Carol: Calcutá!

(Risos)

Luca: Por isso que agora que eu estou tomando antidepressivo, minha libido está negativa. Mas… eu não recebo pelo simples motivo de que eu não consigo tirar fotos minhas nu. 

Tiago: Pau mole, santidade máxima!

Luca: Demais, pelo direito dos homens broxa. Aí, como eu não gosto de tirar foto nu, eu me sinto constrangido e desconfortável, eu não recebo nude também, pô, eu não quero retribuir, então eu não vou receber.

Tiago: Mas você pode mandar fotos do seu pau duro em outra época. As pessoas não precisam saber que o seu pau está mole atualmente (risos).

Luca: Não, mas eu não quero tirar foto, esse é o negócio. 

Tiago: Ah sim.

Luca: Eu poderia agora tirar uma foto que eu vou usar para cinco anos, mas eu não estou muito afim.

(Transição)

João Victor: Aqui vemos papai Tiago louco na cachaça. Não importa qual seja a bebida, na verdade. 

Brendaly: Parece que tem vinho também. 

Luca: Ele está fazendo revezamento de álcool (risos).

João Victor: Sei lá velho, tá louco. Enfim, dadas as considerações de papai Tiago, diga-me, Luca, o que é libido negativa? Você é acadêmico de medicina, filho, se vira!

Brendaly: Não, a gente quer uma perspectiva mais pessoal!

(Risos)

Luca: Eu sou uma autoridade…

João Victor: Exato.

Luca: Eu estava numa época que, eu acredito, muitas pessoas que tomam antidepressivos sabem. Você não tem desejo sexual nenhum, você pode ver uma pessoa pelada na sua frente. A maior reação que você vai ter vai ser cobrir essa pessoa para ela não passar frio.

João Victor: Que meigo.

Luca: Eu não estava muito numa época que eu estava afim de sair com as pessoas, de receber nudes, como eu estava falando ali. Então, eu estava muito confortável da maneira que estava ali, com a libido inexistente. 

Brendaly: E aproveitando, eu queria perguntar como é que foi a gravação desse episódio Autistas Bêbados, que fez um sucesso gigantesco. 

João Victor: Não só como foi, mas também o pontapé inicial, o que levaram vocês a terem essa brilhantíssima ideia.

Luca: Vou responder em partes aqui, mas um detalhe de bastidor da minha parte. Vocês viram o Tiago fazendo revezamento de álcool ali? 

João Victor: Levantamento de garrafa.

Luca: O que eu estava fazendo, é que tinha uma garrafa muito velha de cachaça lá em casa, que a gente usava para cozinhar. A garrafa durou 200 anos, porque a gente não usa cachaça toda vez para cozinhar. Não costuma ter muito álcool em casa. Eu zerei aquela garrafa conversando com o Tiago, e eu honestamente acho que eu não me lembro muito do que eu disse (risos). 

Brendaly: A gente depois tem que entrevistar o Tiago (risos).

João Victor: Papai tá louco pra vir, gente. Tá louco, se coçando.

Luca: E a ideia do episódio, era porque nós tínhamos uma vontade de fazer alguma coisa envolvendo álcool, nem necessariamente para o podcast. Entre nós mesmo, nós não tínhamos o costume de sair para beber entre os amigos. Era um negócio um pouco mais saudável entre nós. Então, acabou que a gente ficou, vamos pro karaokê, vamos fazer não sei o que, nunca dava certo. Vamos gravar um episódio bêbados, para falar abobrinha. Bora? Fomos. Não teve muito drama em cima disso, não.

Aí quando a gente decidiu fazer esse episódio de nós bebendo, fomos ver quem tinha disponibilidade, quem queria. Acabou que foi eu, Luca, Tiago e a Carol. Eu acho que de nós três, quem ficou mais louco foi a Carol. A gente pode ver no clipe, ela tá com o rosto plácido, sério. Em determinado momento, ela vai pegar qualquer coisa no chão, ela quase tem um passamento, ela desaparece. Porque a bichinha tava ruim. Aí, deve demorar uns 40 segundos para voltar. Porque a bichinha falou muita coisa. O episódio é muito ouvido não à toa. Porque dá para ver pela postura do Tiago também (risos).

Brendaly:  É, acabaram os filtros, né? O mascaramento ali (risos).

João Victor: Foi pra outra dimensão. Estamos rindo com respeito, tá, gente? Ninguém tá depreciando ninguém nesse momento etílico em que eles se encontram.

Luca: A Carol ainda não voltou (risos).

Brendaly: Meu Deus (risos).

João Victor: Queridos, e com vocês, outro vídeo surpresa. Lindo, maravilhoso. Tanto em conteúdo quanto em imagens. Logo vocês entenderão por quê.  Produção!

[Vídeo 3 mostrado no estúdio]

Otávio: Mais distante. E fazer assim, é o tamanho da Europa. É imenso aqui.

Luca: Não pô, mas até aí…

João Victor: Eu sabia que era um arquipélago com ilha pra caramba, mas esse ponto.

Michael: É a própria China que é enorme.

Luca: Meu irmão, se for pegar o Brasil, a ponta do Acre até a ponta de Pernambuco, é a mesma distância de Lisboa até a Rússia. Então, assim, a gente tem uma…

Desconhecido: O Brasil é o país, ele é um continente.

Otávio: Ele é um continente.

Luca: É um país dado como país continental.

(Transição)

Brendaly: Qual foi o ano?

João Victor: 2024, certo?

Luca: Assim, foi uma das últimas vezes que eu estive no NAIA antes de viajar. E claramente tivemos a discussão seríssima sobre a projeção de Mercator no mapa mundi. E a distorção que há entre o nível do Equador para os polos.

João Victor: Eu lembro que o começo da discussão tinha sido eu comentando sobre o tamanho de alguns países considerados pequenos dentro dessa escala. E o assunto foi emendando e o resultado desse vídeo belíssimo (risos). Achei que era um pouco mais bonito, mas eu apareci pouco. Peço desculpa, gente.

Brendaly: Essa foto, eu queria que você comentasse um pouquinho sobre essa foto.

Luca: Essa foto, infelizmente, era só um efeito do Instagram. Mas não foi a primeira vez que eu fiz drag. Apesar de essa foto eu não ter feito drag, era de fato um filtro. Mas eu acho muito legal botar uma maquiagem que vai ressaltar os pontos exagerados do rosto. Então deixar a boca mais volumosa, uma sombra carregada, os cílios grandes. Eu acho muito legal isso.

Brendaly: Então você faz drag?

Luca: Não faço drag porque não é um hábito. Eu fiz acho que duas vezes na vida. Eu achei bem divertidinho.

Brendaly: A gente estava comentando nos bastidores, você é uma pessoa LGBT, né?

Luca: Sim.

Brendaly: Assim como eu. Esse é um ponto que a gente sempre bate. O Tiago até fala, toda pauta de sexualidade você traz (risos). É meu hiperfoco, gente. Não tem como (risos).

João Victor: Deixem ela, por favor.

Brendaly: E aí quero conversar com você. Como você percebe sendo uma pessoa LGBT e autista também? Essas intersecções, né? Porque tem o autismo e tem a questão da sexualidade.

Luca: Isso é um tema que conforme eu vou ficando mais velho eu me vejo menos capaz de responder com certa clareza. Porque eu havia dito mais cedo na conversa em off, mas eu conforme fui ficando mais velho fui percebendo que eu não tenho uma atração romântica necessariamente pelos homens. Eu consigo, eu tenho uma atração sexual, por isso eu me considero bissexual, mas não necessariamente bi-romântico. Não mantenho relações.

E eu digo que eu não me vejo tão qualificado para responder assim hoje em dia sobre a experiência de ser uma pessoa LGBT e autista unicamente porque eu mantive relacionamentos longos onde a maior parte da minha vida adulta eu passei em um relacionamento. No caso um relacionamento hétero, mas isso não necessariamente diz algo.

Então eu não tive tantas experiências assim com pessoas de sexualidades e de gêneros variados. Mas a minha experiência enquanto pessoa LGBT e autista que eu vejo hoje eu tendo a não me ter numa régua que já foi usada para outras pessoas. Se alguém fala “ah, namorou só com mulher, não é bissexual” eu não me vejo necessariamente assim.

Eu tendo a interpretar a minha sexualidade de uma maneira muito minha e não tento também colocar ela sobre outras pessoas. Se uma pessoa passa por situações parecidas com as minhas e fala “poxa, eu só namoro mulheres, então sou uma pessoa hétero”. Se a pessoa se considera assim, perfeito.

Brendaly: Então você se relaciona mais com mulheres?

Luca: Sim, amorosamente sim.

Brendaly: É porque mulher é envolvente, né? Cá entre nós! Eu tinha que puxar pro meu lado, desculpa (risos). Mas você discorda?

Luca: Sim, eu sou uma pessoa que… eu gosto muito de estar em um relacionamento e preferencialmente um relacionamento longo. Eu sou muito feliz nisso, sim.

João Victor: Como eu tô cumprindo a cota hétero, tá? Eu tô só admirando aqui a beleza do homem enquanto vocês conversam.

Luca: Essa foto inclusive foi no arraial da faculdade de letras da UFG do ano de 2022. Isso foi no dia 21 de junho de 2022.

Brendaly: Nossa, e você falou que era ruim de data!

Luca: Isso foi dois dias antes do meu aniversário.

João Victor: Ah, tá explicado, tá explicado.

João Victor: Nesses eventos com maior número de pessoas, número considerável, como é pra você o processo de estar nesses lugares? Como é a socialização pra você num panorama geral, sendo um pouquinho mais abrangente? Como é o mascaramento, trazendo uma especificidade?

Luca: Eu gosto muito de gente. Eu adoro conversar com pessoas, apesar de ser algo exaustivo, às vezes. Mas é algo que, enquanto não estou conversando com pessoas, eu me sinto mal. Eu gosto muito de sair pra festas e essas coisas. Não sempre, mas… Precisa ser da minha maneira. Se eu vou pra uma festa, eu vou com um abafador de som.

Se eu vou pra uma festa, e essa parte não acho saudável, não acho recomendável. Mas se eu vou pra uma festa, eu bebo bastante, porque o som não me incomoda tanto. Não acho recomendável você beber álcool pra deixar de ter uma sensibilidade sonora. Mas enquanto eu tô num ambiente com 300 pessoas, o som alto, eu bebo álcool e eu fico muito mais confortável.

Shows, em ambientes assim, abafador de som, se for uma festa noturna, álcool. E eu tô na pista, eu tô conversando com todo mundo, tô saindo. Não gosto muito de beijar pessoas desconhecidas, mas eu tô batendo papo, fazendo amigos. Pra mim é ótimo, eu me sinto muito feliz.

João Victor: Então você sente que precisa pertencer a algum tipo de coletivo naquele momento, socializar. E isso, ao mesmo tempo, te frustra quando você não consegue, devido às dificuldades do TEA, do autista, de se comunicar, de socializar? Fica nesse limbo, né? Porque por eu me identificar, é inevitável que… enfim.

Luca: Sim, eu entendo. Eu não tenho tanta frustração assim, quando eu vejo que não consigo me comunicar tão claramente, ou não consigo me fazer…

João Victor: Compreendido.

Luca: Não consigo me fazer compreendido pelas pessoas. Óbvio que é uma sensação muito desagradável, mas não é algo que me consome tanto. Eu tenho alguma facilidade para conversar com pessoas estranhas, então pra mim, quando você me solta no meio de um ambiente desses, eu vou sair de lá com três amigos e uma proposta de emprego.

João Victor: Nossa. Haja treino de habilidade social.

Luca: O dia seguinte eu fico inteiro na cama, é muito cansativo, mas eu acho agradável. Puxando só um pouco ao que você disse durante a pergunta, eu não vejo isso como uma necessidade de pertencimento necessariamente, porque eu não preciso estar sempre em uma festa, não preciso estar nesses ambientes. Se surge uma oportunidade, eu vou. Maravilhoso.

Se não, eu estando na faculdade, por exemplo, que é um ambiente que tem 200 pessoas sempre andando, eu só preciso ver gente. Talvez eu esteja me encaminhando para um emprego que é algo que talvez eu vá ser feliz, porque o atendimento ambulatorial, você vai ver gente de qualquer jeito.

João Victor: É, eu falo de pertencimento no sentido de estar próximo de pessoas, seja elas quais forem, foi o que eu quis dizer, de maneira mais precisa.

Luca: Perfeito. Isso sim, isso é uma necessidade que eu vejo. Os  períodos em que eu estive sozinho, do outro lado do país, considerando que eu cresci em Goiás, os períodos em que eu estive sozinho em casa, que eu não estava na presença de ninguém, foram períodos que, para mim, eu achei muito desgastantes. Eu fico mal de estar sozinho. Eu gosto de estar na presença de pessoas, de estar conversando, mesmo, às vezes, não falando nada. Para mim é bom. Então, ficar sozinho não me é um tempo bom.

Brendaly: Queria que você desse um conselho para essa nova formação.

João Victor: Se possível, dois. Quantos você quiser!

Luca: Um conselho, talvez, se você for nas configurações de uma impressora, você consegue fazer a letra ficar bem pequenininha, aí você cola a pauta aqui, na palma da mão, porque, enquanto eu fazia no computador, eu deixava a pauta escancarada na minha tela (risos). Nossa, eu admiro muito vocês, numa mesa, contato visual, vocês terem o domínio da pauta que tem, de “não, eu vou fazer uma pergunta sobre…”. Eu não tenho isso (risos).

João Victor: Já adianto…

Brendaly: Na verdade…

João Victor: Não é bem por aí, não, amigão! 

Brendaly: Não é bem por aí, não. A gente recebeu, assim, podemos falar? Uma chamada de atenção, assim, “para de prender a pauta”. Então, aqui está sendo um teste, sabe?! (risos). 

João Victor: Pois é.

Luca: Eu tinha a pauta quase tatuada na tela do meu computador, e isso é algo que eu admiro muito na nova formação, que por ser um formato diferente, vocês se adaptam à metodologia de produção muito diferente das que eu estava acostumado. Para mim, esse contato visual é muito envolvente, não é algo que eu estava necessariamente acostumado.

Óbvio, você fica envolvido quando está escutando a história da pessoa, mas você sente uma tridimensionalidade quando você está na presença dela.

E, na verdade, eu não sei se eu teria dicas, mas muito mais puxação de saco, de admiração, porque eu acho que esse formato que vocês mantêm atualmente é muito coeso, vocês conseguiram manter ele muito bem. Eu gostei de verdade.

Brendaly: Legal, muito obrigada.

João Victor: Muito nos honra ouvir isso daí.

Brendaly: Não é verdade? Me sinto honrada, né, João Victor? 

João Victor: Sem dúvida nossa. Tá louco.

Brendaly: Porque a gente veio aqui com uma admiração com a formação antiga (risos). 

João Victor: Ver que isso está sendo recíproco é sinal de que estamos fazendo um trabalho bem feito. Assim esperamos.

Brendaly: Sim. Por hoje é só, pessoal. Queria agradecer a você que ficou até o final desse episódio. Um episódio muito especial com a presença de Luca Nolasco. E queria convidar você, nos siga nas nossas redes sociais, no nosso site introvertendo.com.br.

Você pode nos encontrar nas demais redes sociais pelo @introvertendo. O podcast Introvertendo é um podcast feito por autistas com produção do NAIA Autismo e está sendo gravado nos estúdios da Faculdade Realiza.

[Vinheta de encerramento]

*

Ficha técnica do episódio

Direção geral: Tiago Abreu | Direção de vídeo: Nicolas Melo | Assistente de vídeo: Alexandre Stacciarini | Fotografia: Nicolas Melo | Capa: Alexandre Stacciarini | Pauta: Tiago Abreu | Edição de áudio e vídeo: Tiago Abreu | Transcrição: João Victor Ramos

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